Teorias do Poker

Textos selecionados e traduzidos para português para lhe ajudar a jogar seu A+.

  • CÓDIGO DE BONUS PT200 PARA BÔNUS DE 100% ATÉ $200

    OBS: Limpar os cookies antes de fazer o download $200 de Bônus no Everest Poker

Posts de Dezembro, 2008

#49 – Antologia 2+2 – Sempre se isole contra o fish

Publicado por Preacher em Dezembro 27, 2008

Advice from a MHNL’er

Escrito por whitelime, traduzido por Especulador

Imaginem um ‘donkey’ (jogador muito ruim, também chamado de fish), que joga muitas mãos, entra de limp e você entra de limp behind (pagar o blind depois que alguém já fez isso). Isso é muito ruim. O seu range de mãos para entrar na mão e fazer um raise contra o fraco limper (jogador que pagou o blind), com posição sobre ele, deve incluir PELO MENOS as seguintes mãos (ou até mãos mais fortes), se você jogar um pos-flop pelo menos decentemente: AA-77, AK, AQ, AJ, AT, A com outra do mesmo naipe, KQ. KJ, KT. QJ, QT, JT, Q9 suited (mesmo naipe), J9 suited, K9s (suited) 9Ts. O valor do raise pode variar, mas uma regra geral é 3.5BB + 1BB por limper (raise do tamanho do pote).

Se você vai para o heads-up com o fish e ele der check no flop, você deve apostar cerca de 100% das vezes. Aposte com suas mãos monstro e com suas mãos ruins. O valor da aposta pode variar entre 1/2 pote e o pote. Mixe o valor das apostas para que não possam ler sua mão. Entretanto, use o bom senso. Se o flop é A-5-5 rainbow (de naipes distintos), uma aposta de meio pote provavelmente fará as mesmas mãos foldarem que faria uma aposta do valor do pote, e etc, e você se previne contra uma boa mão que ele pode ter feito com o flop.

Pense a respeito de uma perspectiva de teoria do jogo. Se você aposta o pote toda vez, ele terá que foldar MENOS que 50% ou você terá um lucro automático. Dado que a maioria das mãos dele erram mais que 50% dos flops (não formam jogos bons até o flop), a menos que o fish se ajuste à sua estratégia, você terá um lucro automático. E mais: mesmo que ele pague de vez em quando, você terá uma mão de vez em quando, então ele terá que pagar/aumentar mais do que apenas 50% das vezes.

Além disso, se ele começar a aumentar e iniciar um contra-ataque, lembre-se que ele joga mal, então você deve estar apto a vencê-lo.

Resumo – Comece a isolar com o fish e extraia o máximo dele

Há uma situação em que você não deve isolar. Isso ocorre quando há alguém que é MUITO loose (solto) em range de calls à sua esquerda (depois de você). Se for o caso, você não estará apto a isolá-lo efetivamente. Naturalmente, quanto mais perto você estiver do button, mais frequentemente deve se isolar.

Você deve sentar à esquerda dos jogadores muito loose. Você deve atocaiá-los. Ataque-os impiedosamente. Há um debate de que você deve preferencialmente sentar à esquerda de jogadores muito loose ou evitar que o TAG (tight agressivo, conservador e agressivo) tenha posição sobre você (estejam depois de você). Deixe-me pôr um fim nesse debate. Sente-se à esquerda dos loose.

Se você tem um mesa 6-handed com 3 jogadores médios, um muito loose e um TAG muito sólido e você se tiver que se enfiar entre o TAG e o loose, eu posso estimar que seu BB/100 será DRAMATICAMENTE maior sentando à esquerda do loose com o TAG à sua esquerda. As razões para isso devem ser óbvias.

Enviado em Antologia 2+2, Cash Game | Deixar um comentário »

#48 – Antologia 2+2 – Raise Preflop

Publicado por Preacher em Dezembro 22, 2008

4xBB + 1 per limper… why?

Escrito por Pokey, traduzido por Preacher

Por que é tão importante seguir a regra de raise padrão pré-flop 4BB + 1BB para cada limper – aqueles jogadores que simplesmente completam o big blind? Dar raise no valor de quatro big blinds mais um big blind para cada limper no pré-flop pode ser muito bom para depois do flop.

Aumentar a aposta pré-flop utilizando a regra do 4xBB+1/limper é muito bom para jogar um pote heads-up depois do flop, o que, na maioria das mãos, é o número ideal de oponentes. A questão de abrir raise pré-flop sem seguir um padrão é que você precisa ter como objetivo principal: disfarçar suas mãos e ter a iniciativa da mão.

Raises vindos de você não precisam significar, para os outros jogadores, que você está com AA, KK ou AK. Adotar uma estratégia padrão para raise pré-flop é muito importante para que seus oponentes não saibam quais duas cartas você tem na mão e, consequentemente, você terá action (action é quando seus oponentes te dão ação, jogam fichas no pote contra você) tanto pré-flop, quanto pós-flop. Isso é o que você deseja quando possui uma mão como AA, KK etc. Por outro lado, não dar raise com suas mãos boas e adotar a estratégia sempre dar limp, mesmo com monstros (com o objetivo de disfarçar a mão) é um grande erro… É muito mais fácil ganhar depois de aumentar do que apenas pagar o big blind. Isso porque após o flop o pote já estará grande e, mesmo com uma mão mediana, seu oponente não vai querer perdê-lo e vai pagar até o river… Por isso, evite blefar; valorize suas mãos boas, seus oponentes pagam com qualquer lixo, então blefar torna-se um erro.

O valor de 4xBB+1BB/limper pode ser explicado pois se você sempre der raise de 8 vezes o Big Blind (por exemplo), um valor muito alto, seu oponente pode se defender adotando uma estratégia de jogo muito eficiente para essa situação; tornando o próprio estilo de jogo mais conservador, diminuindo o range de mãos que ele pode jogar, e jogando apenas mãos excelentes. Com raises tão altos, seus oponentes provavelmente irão entrar apenas com mãos excelentes. Assim seus raises serão arriscados, uma vez que você estará aumentando a aposta para não ter tanto retorno, já que seus oponentes provavelmente sairão da mão. Você estará basicamente arriscando muito para ganhar pouco (total de blinds é 1,5 big blinds, o que tem no pote até o momento é o small blind e o big blind, sendo que o small blind é metade do big blind), um oponente oportunista e inteligente pode facilmente se aproveitar disso.

Por outro lado, se você aumenta menos do que 4xBB+1/limper pré-flop, você não exerce pressão suficiente nos seus oponentes e vai acabar jogando muitos potes com mais de duas pessoas (multiway). Isso é terrível, especialmente fora de posição, e vai te fazer perder muito mais mãos do que você, jogando de maneira padrão, perderia. Quantos menos jogadores no pote contra você, mais sua mão tem valor e mais facilmente você pode blefar, pois com três ou quatro oponentes no pote será bem difícil apostar e fazer com que todos desistam. Pior ainda, você vai comprometer muito mais dinheiro até descobrir que está vencido por mãos como um straight ou dois pares.

Se você da raise de 2xBB e quatro te pagam, o pote será de aproximadamente 10 big blinds, sendo que caso você tenha acertado top pair (par mais alto), sua aposta deverá ser em torno de 7 big blinds – sendo que top pair não é mais uma mão tão forte contra três ou quatro jogadores, e por isso um pote grande multiway é tudo que você deve evitar-. Se 2 pagarem no flop, o pote no turn terá mais de 31BB (10+21), e você realmente estará numa situação complicada para um top pair, mesmo sendo TPTK (top pair top kicker). Não ache que seu top pair contra dois ou três jogadores é uma mão boa, porque não é!!! Muitas vezes você irá perder para flush, straight, full house, trinca, four, ROYAL FLUSH – ou você acha que essas mãos não acontecem nunca? – fiquem espertos, tem que pensar no que seus oponentes têm, não olhem somente para suas duas cartas.

Teoricamente, seria muito bom se pudéssemos aumentar muito com mãos boas e aumentar menos com mãos médias. Infelizmente, nossos oponentes têm o terrível hábito de observar como nós jogamos e se adaptarem a isso. Se nosso raise pré-flop indicar a força de nossas mãos, estamos oferecendo para eles uma quantidade imensurável de informação. Como resultado disso, todas nossas apostas antes do flop devem ser do mesmo tamanho e seguir um padrão, independente de serem roubos de blinds com lixo ou apostas por valor (value bets) com AA. É a partir da mudança de seu jogo que você começa a ler seus oponentes, veja quando eles cometem esse erro – que vocês não mais irão cometer – de aumentar mais com mãos boas e menos com mãos ruins.

Enviado em Antologia 2+2, Cash Game | Deixar um comentário »

#47 – Antologia 2+2 – Estrutura de Estudo de Poker – Parte 2

Publicado por Preacher em Dezembro 15, 2008

A Framework for Poker Study

Escrito por LearnedfromTV, traduzido por Preacher

Freqüências de Aposta:

Sobre “padrões de aposta” eu estava falando sobre o ponto de vista de um observador de todos os participantes na mão, aqui eu me refiro à freqüência com que os indivíduos apostam, pagam, foldam e aumentam. Há grandes questões de meta-teoria aqui, como que % das vezes deve um preflop raiser apostar o flop (ou freqüências otimizadas para qualquer seqüência de ação), mas eu estou falando mais sobre coisas como “que % do tempo eu (ou esse oponente, ou aquele oponente) aposto o turn depois de ter apostado no flop e ter sido pago. Que % das vezes eu dou check-raise no flop, e então aposto no turn? Eu sempre dou check-raise no flop e aposto no turn? Com que freqüência eu pago three barrels? Com que freqüência eu sigo minha aposta no turn com uma aposta no river?”

Claramente, o board freqüentemente muda do flop para o turn e do turn para o river. Se acerta o draw, e você sabe 100% que seu oponente estava com o draw, você deve ir de check/fold e nenhum mumbo-jumbo freqüente vai mudar isso. No entanto, desde que algumas vezes você deve apostar no flop com aquele draw óbvio e algumas vezes seu oponente está pagando sem o draw, você deve seguir quando acerta no turn (você tendo o draw ou não). São essas coisas que você começa a pensar quando você pensa sobre a freqüência das ações.

E há freqüências otimizadas para tudo isso? Talvez, em um sentido de teoria-de-jogo, oponente-que-joga-perfeitamente. Potes crescem exponencialmente, então talvez em teoria nós devamos apostar o flop 75% das vezes que nós aumentarmos, apostar o turn 25% das vezes que formos pagos, 50% das vezes que o flop chegar em check, apostar o river 10% das vezes que formos pagos no turn e 20% das vezes que o turn rodar em check, todas as vezes mixando blefes apropriadamente. Na prática, nós ajustamos essas freqüências para explorar oponentes específicos, mas eu acho que analisando essas questões em geral podem nos ajudar a entender como fazer isso.

Dinâmica Tamanho do Pote/Tamanho dos Stacks:

Stacks de 100xBB. Limpy McLimper dá limp (apenas pagar o blind) antes de você. Ele faz isso com 20% das mãos e nunca dá raise. Você tem duas cartas e aumenta. Ele paga e vocês vêem um flop com 9 BB no pote. Quão forte uma mão precisa ser para jogar por 100 BB? Por 50? Por 25? É uma questão muito ampla? Depende de muitos outros fatores? Sim, é claro. Mas em contraste: mesmos stacks de 100xBB. Raisy McRaiser dá raise antes de você. Ele faz isso com 20% das mãos e nunca dá limp. Você dá reraise com as mesmas duas cartas, ele paga (ele paga raises tão frequentemente quanto Limpy) 27 BB no pote. Agora quão forte uma mão tem que ser para jogar por isso tudo? Que tamanho de você deve jogar, na média, com um par? Com um grande draw?

A única diferença é que o pote representa uma porcentagem dos stacks. Com mais pelo que brigar, o range das pessoas para ações postflop devem necessariamente mudar para ser mais agressivo. Se seu oponente não fizer esse ajuste, explore isso – dê muito reraise, então jogue agressivamente, deixe-os foldar muito. Se eles se ajustarem, você tem que mudar com eles em reraised potes. Quebre com AA contra Limpy, você é normalmente um fish, contra Raisy, provavelmente não.

O ponto é que não há uma fórmula para tamanho apropriado do pote com XX no flop abc em termos de tamanhos de aposta preflop – “AA vale 3x o tamanho do pote preflop”. Claramente não há. Há momentos de largar um set em um pote reraised e momentos para ir com tudo com middle pair em um pote limped. Mas em cada flop, você deve ser capaz de olhar para o tamanho do pote, olhar para o tamanho dos stacks, e ter uma idéia geral de que tipo de mão você deve querer jogar e por quanto. Claro, a idéia geral tem que ser ajustada baseado em todos os outros fatores situacionais, mas cumpre seu papel.

Obviamente em MTT (multi-table tournaments, torneios) essa dinâmica pote/stack está sempre presente por causa dos blinds sempre aumentarem e a variância no tamanho dos stacks dos oponentes. Eu acho que um range de 30-40xBB interessante, porque é um momento no qual raisers com um par têm dificuldade em foldar, mas callers com mãos especulativas ainda têm odds para pagar e tentar vencer no flop (também porque reraises all-in são muito agressivos nesse estágio facilmente exploráveis). Isso gera um jogo de gato-e-rato onde você tem que acompanhar as mãos que você aumenta e planeja ir pro chão e mãos que você não planeja para poder negar implied odds para mãos especulativas. Mas faça muito isso e você se torna vulnerável à reraises preflop. Além disso, em MTT’s, uma mudança significativa na relação tamanho do pote/tamanho dos stacks acontece quando antes são introduzidos. Há mais pelo que brigar, então ranges mudam e jogadas mais agressivas são recompensadas. Em cash games, onde os stacks normalmente são 100x e não há antes, essa dinâmica aparece mais nas diferenças entre potes limped, potes raised e potes reraised.

Toda essa teoria em prática:

Um pequeno exemplo. Alguém aumenta no UTG+1, você paga no BB com 55. O flop contém um 5. Antes que você diga “lead” ou “check”, você tem que considerar:

1. O range com o qual o raiser aumenta daquela posição

2. Qual a chance de um flop particular acertar aquele range (AQ5? T85? 522?)

3. Que padrões de aposta são mais prováveis de criar um grande pote sem demonstrar que você quer um pote grande?

4. Qual a chance do raiser apostar no flop se chegar em check, ou raise se houver uma aposta, qual a chance do outro caller tem de ser surpreendido com uma mão marginal, quão frequentemente o raiser vai seguir no turn com uma mão marginal, com que freqüência ele vai desistir do lead se você mostrar agressão no flop, etc, etc.

5. Qual o tamanho dos stacks e qual a chance dos seus oponentes terem uma mão que está disposta a jogar por um pote grande.

Tudo que eu estou argumentando neste ensaio é que você estará mais bem preparado para tomar melhores decisões se você pensar independentemente sobre como texturas de board diferentes jogam, sobre a quantidade de força padrões de aposta diferentes representam, sobre como jogar versus uma freqüência de apostas diferentes, sobre como ranges e freqüências de apostas mudam em posição versus fora de posição e daí por diante.

Claramente, há muitos outros fatores que eu não discuti, como imagem na mesa, o que significam vários tamanhos de apostas, quão certo você está de que você está na frente (ou atrás), quão facilmente você pode melhorar, quão vulnerável sua mão é para o tipo de mão que está disposta a jogar com você, qual a chance você tem de terminar pagando com a segunda melhor mão se alguém te pegar. Eu não pretendo que isso cubra tudo que poderia cobrir, nem chegue perto, mas isso é o que estou pensando no momento.

É isso aí, pessoal. Esperamos ter contribuído positivamente.

Enviado em Antologia 2+2, Cash Game | 1 Comentário »

#46 – Antologia 2+2 – Estrutura de Estudo de Poker – Parte 1

Publicado por Preacher em Dezembro 12, 2008

A Framework for Poker Study

Escrito por LearnedfromTV, traduzido por Preacher

Introdução:

Frequentemente é dito que há muitas variáveis envolvidas no jogar de uma mão para uma análise do histórico, componente por componente, ser prática. Eu concordo com isso, e concordo que até mesmo nos casos mais simples (cálculos de short-stack push/fold, por exemplo) há uma significante margem de erro no resultado final que se deve a suposições imprecisas, mas necessárias, sobre o range dos oponentes.

Então mesmo que uma mão de poker seja um gigantesco problema de matemática, completo com oponentes hipotéticos que fazem a, b, e c x%, y% e z% do tempo, ainda é um problema insolúvel. Dito isto, eu acho que muito pode ser aprendido se pensar em mãos de poker em termos de seus componentes variáveis, desde pensar sobre a estrutura daquele problema matemático gigante e como pode ser resolvido, se for solúvel. Esse artigo é minha tentativa de categorizar e analisar esses componentes. Eu chamo de estrutura para estudo de poker porque eu acho que uma boa aproximação para melhorar é usar o tempo fora das mesas focado nesses componentes variáveis, um por vez, para estar melhor preparado para pensar sobre todas as informações relevantes quando confrontar decisões na mesa.

Idéias gerais:

Há três idéias gerais que eu assumo que seja familiar a todos – os conceitos de pot equity e Expected Value (EV); o Teorema Fundamental do Poker (TFP) de Sklansky; e o que eu chamo de “cálculo de hand ranges”.

Pot equity e EV são funções de probabilidade básica e governam cada ação em um jogo de poker. Sua mão tem % de chance de vencer o pote, o pote contém alguma quantidade de dinheiro, então você tem uma parte do pote. Cada aposta que você faz é um investimento e você deve apostar quando sua expectativa de retorno da aposta é maior que o custo da aposta. O TFP formaliza como maximizar seu retorno no caso especial de informação completa. Cada vez que você faz uma aposta que maximize a expectativa versus a mão atual do seu oponente, você vence; cada vez que seu oponente falha em maximizar a expectativa dele contra a sua atual mão, você vence. Cálculo de hand ranges, que é a forma que a maioria das análises assume em fóruns, reconhece que o poker é na verdade um jogo de informação incompleta, e tenta definir as melhores ações em termos de maximizar a expectativa versus um range de possíveis mãos que seu oponente possa ter, sob a luz do range de mãos que é provável que ele pense que você tem.

Porque em cada caso, tanto você quanto seu oponente têm uma mão específica, o TFP é ainda a medida teórica final do que é uma ação lucrativa ou não lucrativa. Na prática, entretanto, nós trabalhamos com informação incompleta; sendo assim a habilidade no poker é uma combinação da capacidade de tomar as melhores decisões dentro do contexto do “cálculo de hand ranges” e a capacidade de ler os ranges de seus oponentes melhor do que eles lêem o seu.

Fatores situacionais:

Todos nós sabemos que a jogada apropriada e a leitura correta do range de um oponente depende de vários fatores situacionais. Eu acho que nós estamos acostumados a pensar sobre esses fatores no contexto de qualquer mão particular que estamos jogando ou analisando, onde muitos fatores relativamente pequenos se acumulam para uma leitura e uma decisão. A estrutura de estudo que eu sugiro nesse ensaio (e que eu mesmo estou seguindo) é separar os fatores situacionais mais importantes e analisá-los individualmente. Os fatores que eu quero falar são posição, textura do board, padrões de aposta, freqüências de aposta, tamanho do pote em relação ao tamanho dos stacks (há dois outros que não vou cobrir aqui, mas que eu quero mencionar – imagem na mesa e tamanho das apostas. Imagem na mesa porque obviamente é muito importante, e tamanho das apostas porque eu acho interessante). Todos esses fatores estão correlacionados, mas ao isolá-los eu espero obter um melhor senso do papel de cada jogada no objetivo geral que estamos todos buscando – maximizar o EV versus o range de um oponente e saber o range dele melhor que ele sabe o seu.

Posição:

O fator de situação mais conhecido, mais analisado, e mais fácil de entender é posição. Hand ranges são automaticamente maiores com melhor posição. Não somente alguém em posição tem menos pessoas para agir depois e mais informação naquela rodada em particular, eles e seus oponentes fora de posição sabem que o jogador com posição nessa rodada terá posição em futuras rodadas. Então o range de raises preflop do CO e do Button são bem mais amplos, e quem aposta em posição no postflop normalmente tem ranges maiores. Um 20/12 é 7/5 UTG (under the gun, primeiro jogador a falar) e 40/25 no button, se você der check no flop sendo o primeiro a agir em um pote three way, independente de qualquer outra informação, é mais provável que o button pague do que o cara no meio; etc. eu não acho que seja necessário falar muito mais sobre isso, já que está bem fixado em todos os pensamentos que qualquer um de nós tem sobre o jogo. Se posição fosse tudo o que eu tenho pra falar, esse artigo não seria muito útil. Vamos em frente.

Textura do Board:

Esse é mais interessante, e deve deixar mais claro o que eu quero dizer com a idéia de “isolar fatores situacionais”. Imagine, em heads up, um raised pot com um flop dry ace-high, (maior carta é um A) A x y rainbow. Você provavelmente jogou centenas de mãos que se encaixam nessa descrição, milhares talvez. Qual o percentual das vezes que um dos dois jogadores tem um ás? Quão freqüentemente um deles pode bater AK? Quão freqüentemente alguém aposta nesse flop com menos que um ás? Se o seu raise for pago e você está em posição, qual percentual das vezes você deve esperar que um oponente honesto aposte? Quão muito mais freqüente do que honesto ele tem que ser para apostar antes que você possa explorá-lo representando o ás? Há todo um problema de teoria de jogo aqui, nesse simples board onde a única mão que as pessoas “devem” ter para continuar são Top Pair, Top Kicker – Top Pair Good Kicker (TPTK – TPGK), sets, pocket pairs e raramente, dois pares.

E que tal um flop médio two-tone (com dois naipes), o tipo com straight draws (T85 ou 974). Agora há vários draws, combo draws, sets, sempre tem sets, mas agora se você tem ação que parece ser um set, pode na verdade ser um draw. O que uma aposta significa nesse flop? Quão diferente é essa aposta para aquela no flop A-high? Com que freqüência alguém aposta nesse flop sem ter um par? Compare um raiser apostando nesse flop com o flop A-high – com que freqüência ele deve apostar, quão freqüentemente ele deve ser pago ou raised?

Raised pot novamente, agora K-high. O jogador que aumenta vai representar o K várias vezes, mas com menos freqüência do que ele teria o A no flop A-high. Quantas vezes deve um raiser honesto apostar o flop, permitindo um blefe já que isso não é feito com muita freqüência? Quão freqüente é isso?

Boards com pares como J88 ou JJ8. Agora há apenas 5 cartas que podem ter acertado esse flop, ao invés de 9. Pocket pairs são fortes, os monstros à vista. Mesmas perguntas – com que freqüência deve-se apostar nesse flop, com que mãos, quão fácil ou difícil é tirar alguém com uma mão medíocre? Etc, etc.

Quantas texturas de flop existem? Dúzias, centenas até, e todas elas se misturam, mas questões como “com que freqüência o raiser preflop aposta o ás”, e “quão rápido um JJ deve jogar em um board two-tone T85″ são coisas que são parcialmente determinadas simplesmente pelos tipos e números de mãos que podem gostar de um certo flop.

Padrões de Aposta:

Sendo o No-Limit Hold’em (NLHE) um jogo onde você pode apostar qualquer quantia a qualquer momento, pode parecer que há uma tonelada de maneiras de construir um pote. De fato, especialmente entre jogadores decentes, os mesmos padrões e apostas se repetem várias e várias vezes. Pense sobre quão frequentemente uma mão se desenvolve dessa maneira: preflop raise, call. Raiser aposta, call. Raiser check, caller aposta, raiser fold. Ou raiser em posição, chega em check até o raiser, bet/call, turn check/check OOP (Out Of Position, fora de posição) aposta, raiser folds. Ou, raiser OOP, bet/call, check/check, bet/fold. Ou bet/call, check/check, bet/call. Ou bet/raise/call, check/bet/fold. Ou, check até o raiser, raiser aposta, check-raise, raiser folds.

É mais fácil categorizar potes heads up dessa forma, mas padrões também se repetem em potes multiway. Alguns padrões são mais comuns que outros. O que eu sugiro é que pensar sobre esses padrões e a freqüência com que ocorrem é instrutivo, por duas razões. Um, os padrões que ocorrem com mais freqüência são também os padrões que combinam com as situações mais freqüentes. (mãos fracas para moderadas construindo e contestando um pote de tamanho médio-pequeno). Dois, a maior parte do lucro vem de criar potes grandes com mãos grandes, o que é mais fácil de fazer se feito discretamente. Especialmente contra bons jogadores, isso pode ser muito difícil.

Enviado em 1, Antologia 2+2, Cash Game | Deixar um comentário »