Teorias do Poker

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#42 – Coisas Que Levei Um Tempo Para Aprender – Administração do tilt e do tempo

Publicado por staedert em Agosto 29, 2008

Things it took me a while to learn – Part 11: Time and Tilt Management

Escrito por Bond18, traduzido por Staedert

Tenho algum tempo durante a próxima semana antes que precise voltar ao poker ao vivo, então pensei em voltar a escrever alguns desses artigos. Muitas pessoas no tópico “o que você quer ver nesses artigos” disseram que estavam curiosos sobre administração do tempo (e num menor grau, volume), e administração emocional/do tilt. Nenhum deles parecem ser assuntos incrivelmente elaborados e então decidi combiná-los, apesar de não serem tão relacionados.

Administração do tempo: O chato sobre MTTs é que são a forma de jogar poker mais restritiva quanto a liberdade de tempo. Nâo só os torneios começam num horário que não decidimos, como torneios online frequentemente duram 5-10 horas e ao vivo, vários dias.

Quanto ao poker ao vivo temos muito pouca escolha ao administrar o tempo, já que só podemos estar em uma mesa e todas as pausas/descanso são estruturadas para você. A parte mais difícil a respeito de administração do tempo no poker ao vivo é manter-se longe das tentações, para ter sono suficiente à noite e assim poder jogar bem. Em qualquer noite durante digamos, a WSOP, as pessoas vão sair para comer, festas, clubes de strip, bares, e se você não é um pária social, freqüentemente vai receber convites. Se você vai jogar no dia seguinte às 12h, provavelmente deve acordar pelo menos meia hora antes (dependendo de onde você está hospedado) para que possa tomar banho, se vestir e colocar alguma comida decente no seu corpo antes que precise jogar. Juro por Deus que se outro imbecil sentar do meu lado num evento ao vivo sem tomar banho e cheirando como lixo, eu vou socá-lo na garganta.

No poker online, administração do tempo é um certo malabarismo. Meu processo pessoal é algo assim: Acordar, tomar banho, tomar café na frente do computador, abrir 3-6 torneios (dependendo da hora em que começo) e continuar me registrando pelas próximas 4 horas mais ou menos, com a ajuda da minha namorada ao fazer alguma comida depois de umas 4-5 horas no meu turno. Meu dia médio acaba durando cerca de 8 horas, mas alguns podem levar menos de 6 ou mais de 10, dependendo de quais torneios fui longe e se eu parar de me inscrever cedo. Jogo cerca de 6-10 mesas ao mesmo tempo em duas telas, e em dias realmente intensos posso atingir 12, mas minha média é cerca de 7 ou 8, o que for confortável no momento. Durante o dia eu devo joga cerca de 15 torneios, dependendo do dia da semana, em 6 ou mesmo 7 dias por semana. (embora às vezes pela metade, para que eu possa parar cedo e sair pelo resto do dia)

Há vários atoleiros nesse tipo de sistema. O que fazer quando tiver fome? Eu recomendo ter comida fácil de preparar que não seja junk food, e ficar longe de coisas que o façam sentir letárgico (álcool, peru, comida gordurosa.) Sobre usar o banheiro, nesse caso é bom jogar com mais alguém no local (embora no atual ponto da paranóia sobre uma conta por jogador quem sabe, você pode ser acusado de violar as regras por isso), ou ter um laptop para o qual você possa mover todas as suas mesas. Conforme o dia avança você deve se concentrar nos torneios em que foi longe, já que muitos jogadores entram no piloto automático no começo dos torneios (como muitas vezes eu mesmo faço). Quando atingir a premiação, e certamente na mesa final, a maioria dos jogadores estará prestando pelo menos alguma atenção a cada mão. Às vezes manter o foco durante um dia tão longo pode ser difícil, e não posso culpar quem entra em piloto semi-automático enquanto joga 9 mesas, desde que a cada vez que aparecer uma decisão séria, você pare e realmente pense a respeito. Usar PT/PAHUD também ajuda, e eu normalmente prefiro colocar um par de mesas no lugar mais conveniente para mim, normalmente as mais caras ou nas quais eu fui mais longe, e prestar muita atenção especificamente nelas e fazer muitos notes. Tenho certeza que qualquer um que prestar atenção e tentar fazer notes em cada mão de cada mesa (enquanto joga 8 mesas) durante todo o dia vai enlouquecer, mas se você não tem problema com esse tipo de atitude, vá em frente.

Acerca de quantos dias por semana você deseja jogar, eu acho que é mais fácil para o jogador de poker jogar mais dias porque gosto do meu trabalho (alguns de nós não), mas também porque não perdemos tempo para nada além de trabalhar. Não há transporte, nem procurar vagas em estacionamento ou trazer trabalho para casa (a não ser rever e discutir seu jogo, mas isso mal é trabalho), nem interação social forçada. Se eu tivesse que chutar, diria que economizamos cerca de 2 horas por dia comparado ao trabalhador médio, já que trabalhamos em casa e sempre podemos escolher em quais dias tirar folga ou sair mais cedo. Quantos dias por semana você deve jogar se resume a quanto você precisa do dinheiro, quanto você gosta de jogar, e quantas outras responsabilidades/atividades você tem na sua vida.

Administração emocional e do tilt: Tenho sorte por não ter problemas de tilt. A última vez que lembro ter realmente tiltado foi a mais de um ano atrás, e eu estava jogando acima do meu bankroll.

A solução mais fácil para qualquer problema de tilt é jogar num nível baixo o suficiente para nunca sentir grande pressão para vencer. Instabilidade financeira pode induzir muito o tilt, se você realmente precisa ganhar dinheiro jogando poker essa provavelmente não é a solução.

Em segudo lugar eu sugiro um escape para o stress. Algumas pessoas usam uma stress ball, brincam com fichas na mão, gritam, fazem exercícios, bebem algo gelado, respiram fundo, fazem uma pausa por alguns minutos, abrem um vídeo no Youtube de morrer de rir, etc. Encontre o que funciona para você, e se for um escape saudável, fique com ele. Todos nós temos diferentes gatilhos para nosso stress/tilt, e descobrir qual é e evitá-los é essencial para manter a cabeça erguida.

A parte que mais quero ressaltar, porém, é perceber o quão sem sentido é ficar irritado sobre o que não pode controlar. Como eu disse antes, você precisa entrar em paz com a variância, já que você provavelmente nunca vai entendê-la e NUNCA vai ser “justo”. Reclamar sobre a variância não é apenas contraproducente, mas qualquer um que faça mais que um pouco disso provavelmente será considerado um chorão, e você não quer ser um chorão, quer?

Por fim, poker acaba sendo tentar tomar a decisão ideal seguida da decisão ideal após a decisão ideal até o infinito, então ver os resultados. Você pode controlar as decisões que toma, mas não pode controlar o resultado. Já que você sempre será capaz de entrar em outro torneio ou jogo, reclamar de cair nesse ou naquele não faz sentido. Qualquer importância especial que você dá para um evento em particular costuma ser sua imaginação. “Oh mas Bond, eu caí do Evento Principal da WSOP, quão trágico isso é?” Todos nós caímos dele (acho muito improvável que algum campeão da WSOP esteja lendo isso, mas se for o caso: pare de ser um idiota, Jamie Gold), o quão trágico pode ser se é tão comum? Na maioria dos torneios normalmente há apenas um cara feliz com a forma que terminou, e esse é obviamente o vencedor. Se você não consegue lidar com falhar muito freqüentemente, então torneios de poker provavelmente não são para você. É OK contar sua história ocasional de bad beat aqui e ali, mas investir uma enorme quantidade de emoção num torneio só é bastante estúpido e contraproducente para atingir resultados espetaculares.

TIlt é apenas você sendo um bebezão diante da variância. Cresça, enfrente o fato que o poker frequentemente vai desapontá-lo, e faça tudo a seu alcance para conseguir um resultado favorável.

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#41 – Coisas Que Levei Um Tempo Para Aprender – Poker, variância e a vida

Publicado por staedert em Agosto 29, 2008

Things it took me a while to learn – Part 10: Poker, Variance and Life

Escrito por Bond18, traduzido por Staedert

Parece presunçoso e condescendente dizer às pessoas como viverem suas vidas. Um dos maiores inimigos do poker no nosso tempo é a mentalidade. “Sabemos mais que você sobre você” que o atual governo dos EUA decidiu perpetrar em sua população a respeito de jogo, então virar as costas e escrever um artigo sobre como viver parece ser muito hipócrita. Então vou ser específico aqui, e dar apenas conselhos que eu considero pertinentes a melhorar como jogador de poker, embora às vezes entre em outros tópicos.

Em primeiro lugar, se você quer ser realmente bom no poker, e especialmente em torneios de poker, você precisa entrar em paz com a variância. Eu uso o termo “entrar em paz” em vez de “entender” porque entender a variância de torneios é muito difícil. De fato, não tenho certeza se eu mesmo entendi. Até onde sei, ninguém nesse fórum veio com números para provar quão longo o longo prazo é em torneios. Sinto bastante confiança quando eu digo que é muito provável que você não pode alcançar o longo prazo jogando torneios ao vivo, isto é, você nunca será realmente capaz de determinar seu verdadeiro ROI no poker ao vivo. Mesmo online é muito difícil dizer quanto dos resultados são baseados na variância, e quantos em habilidade.

Um grande exemplo do quão longe a variância pode ir é o jogador ranqueado número 1 em www.officialpokerrankings.com, vietcong01 é um jogador sobre o qual muitos escreveram acerca de seu jogo cheio de falhas. Ele pode ou não ser um jogador ruim (eu não vi HHs suficientes para fazer qualquer julgamento) mas muitos acham que é, embora ele tenha ganho praticamente todo torneio imaginável no Stars cinco vezes seguidas. Na outra ponta do espectro, Ansky (um jogador que muitos consideram o melhor online) admitiu que esteve perdendo durante o ano de 2007 até abril. Enquanto habilidade é obviamente o fator mais importante em determinar se você é um vencedor ou perdedor por fim, a quantia com que a variância pode desviar a estrada para esse fim é enorme.

Um homem sábio explicou que não há “eu mereço” no poker. Essa deve ser a melhor maneira de colocar isso. Se você acompanha resultados de torneios você vai ser forçado a sentar e assistir jogadores ruins acumularem dezenas de milhares, e às vezes centenas de milhares em vitórias. Eu pessoalmente quase não posso assistir poker na TV, os jogadores estão jogando por milhões e 95% ou mais deles são tão ruins que eu acabo sentado resmungando e gritando “PQP, como pode cada pessoa nessa mão jogar o pior possível em todas as rodadas e estarem próximos de ganhar mais do que eu na minha vida, eu vou matar alguém…” etc etc você entendeu. É boa diversão, mas pensar demais em coisas como essas vai fazer sua cabeça explodir. No fim, o que cada um faz e ganha, não importa quanto mereçam ou não mereçam, é irrelevante. A única arma que você tem contra a variância é constante auto-análise e aperfeiçoamento. Você não tem controle sobre mais nada no grande esquema das coisas, então se preocupar sobre elas acaba sendo irracional. Então a respeito de variância, eu acho que o melhor conselho que posso dar é ser obcecado em si mesmo e ignorar a loucura à sua volta.

Achar um balanço na vida com o poker pode ser difícil. Muitos jogadores acabam com o jogo dominando suas vidas, com outras responsabilidades e preocupações indo para o acostamento. As pessoas consideram diferentes coisas como importantes em suas vidas, mas algumas coisas eu recomendo que as pessoas tomem seriamente:

1. Sua saúde. Poker é um jogo sedentário, e não é difícil de ver porque tantos jogadores começam a perder a forma. Quando jogando poker ao vivo frequentemente há pressão pelo tempo, e mesmo online se estiver jogando torneios é difícil parar e preparar uma refeição, então muitos jogadores apelam para fast food. Deve haver um milhão de estudos provando que um corpo fora de forma acaba causando uma mente fora de forma. Não estou dizendo que você deve ir correr maratonas ou começar a treinar para competições de halterofilismo, apenas encontre exercícios que você queira fazer. Volte a jogar seu esporte preferido, vá correr/caminhar, entre para uma academia, aprenda auto-defesa, ou mesmo faça uma rotina de abdominais e flexões em casa. Apenas fique ativo e acompanhe sua dieta, tente eliminar frituras e junk food, e pegue leve com drinques.

2. Durma um pouco. Nada funciona idealmente com pouco sono. Alguns se dão melhor que outros, e no meu caso se eu durmo menos que 8 horas não posso chegar nem perto de uma mesa. Eu sei que muitos caras viram a noite, e porque torneios começam numa certa hora é preciso adaptar a rotina a eles. Mesmo se você não acredita que sono é um grande fator para você, tente esse experimento, escreva quantas horas de sono você teve antes de suas sessões. Um mês depois olhe seus resultados no PokerTracker e veja o quanto seus resultados diferem entre as sessões em que você dormiu bem e aquelas em que não, você pode se surpreender.

3. Reduzir o stress e lidar com ele. Todos tem seu próprio método para isso. Alguns tiltam sem controle e começam a cuspir dinheiro, outros nunca parecem se irritar. Não tive problemas de tilt por muito tempo (a não ser se tivesse dormido mal) e penso que muito disso resulta de volume. Quanto mais você joga, mais derrotas ridículas você leva em momentos importantes, e uma hora você terá visto de tudo. Isso meio que retorna para o que falamos sobre variância, que no fim das contas não há controle e perder a cabeça por isso não faz sentido. Encontre seu próprio escape para reduzir o stress, para mim é escrever, para você deve ser qualquer coisa que o relaxe e o permita eliminar o stress que se acumula ao longo do dia. Aliás, exercício é uma grande maneira de conseguir isso.

4. Tenha um hobby. A não ser que poker já seja o seu hobby e você jogue essencialmente por diversão, você realmente deve buscar algo além para ocupar seu tempo. Há uma tonelada de coisas para fazer lá fora, você apenas precisa encontrar o que é divertido para você. A resposta rápida, é claro, é Halo 3. Boo yah.

5. Mulheres. Isso parece bastante óbvio, ninguém se concentra bem com uma mente distraída. Se você está lendo isso, as chances são de que é bem jovem. Não gaste sua vida na frente do computador se sentindo estranho perto de mulheres, e você vai ficar surpreso quantas vão achar poker interessante se você falar com confiança sobre ele, sem ser arrogante.

6. Se você não quer jogar, não jogue. Quando você se força a jogar você acaba jogando com impaciência, então qualquer dia em que você queira tirar folga e não ter que jogar, eu recomendo fazer isso. Tomara que se você escolher isso como uma ocupação de tempo integral, você de fato queira jogar.

7. Faça amigos e conexões no poker. Isso pode parecer difícil às vezes, já que as pessoas podem parecer inatingíveis no cenário do poker. Quando você começa a postar num lugar como 2+2 pode ser um pouco intimidador, já que muitos dos membros sérios parecem ter regras e padrões, e ter que descobrir o que é considerado óbvio pode ser frustrante. Tão recentemente quanto 15 meses atrás eu era um completo desconhecido no cenário de MTTs na 2+2 e na internet em geral. O que eu descobri que funciona é perguntar muito, postar quaisquer mãos em que você esteja confuso, mandar mensagens privadas a jogadores que você respeita pedindo opiniões sobre suas mensagens, e conhecer outros membros sempre que a oportunidade aparecer. Muitos dos caras acabam sendo muito fáceis de chegar e se aproximar, e se você mostrar vontade de aprender e entender, muitos vão ser de ajuda.

8. Tenha uma vida social fora do poker. Isso também parece bastante óbvio. Gastar sua vida apenas falando sobre o jogo vai lhe tornar chato. Ninguém gosta de chatear as pessoas. Percebe o quanto isso pode ser um círculo vicioso?

Por último, quero falar sobre o que é preciso para melhorar no poker. Muitos perguntam o que é necessário para ser um grande jogador, Eu honestamente não me considero um grande jogador, mas se fosse analisar jogadores numa escala de 0 a 100, com 0 sendo um total iniciante e 100 o Patrik Antonius, acho que eu estaria por volta de 80. É difícil para mim dizer o que é preciso para sair de 80 a 100, e parte de mim acredita que você precisa de fato ser naturalmente inteligente e talentoso para chegar a esse nível de maestria.

As pessoas que freqüentam as áreas de estratégia da 2+2 são em geral caras naturalmente espertos. Freqüentemente quando eu pergunto a eles o que eles estudaram na escola, e é algo orientado a matemática ou num campo que tem aplicação real no poker, numa excelente escola que exige enorme talento e inteligência para entrar. Eu fui um estudante de teatro e em matemática fico à beira de imbecil. Não é necessário ter formação nessa área para se dar bem. O que é mais necessário é perseverança e cabeça erguida. Esse foi basicamente o processo pelo qual eu evoluí:

1. Comecei lendo livros. Isso é bom se você quer uma fundação no básico, mas acho que muitas das informações em livros estão ultrapassadas hoje em dia. Mas Harrington on Hold’ em ainda é muito bom para trabalhar a base.

2. Então comecei a ler e escrever mensagens na 2+2. Por algum tempo coloquei uma quantidade enorme de mãos, porque realmente precisava ser guiado pela maioria delas passo a passo. Meu aprendizado é lento, então preciso que as coisas sejam enfiadas na minha cabeça repetidamente para que se tornem mais um hábito antes que eu possa entendê-las.

3. Me inscrevi no PokerXFactor. Assisti muitos vídeos para ver o que os profissionais mais bem sucedidos fizeram diferente de mim, o que foi que fez deles bem sucedidos. Eu acho que Cardrunners também tem um excelente (neste ponto, provavelmente melhor) elenco de pros, mas ambos os sites tem um belo elenco. A parte difícil é que mesmo muitos desses caras tem grandes falhas e pode não haver ninguém para lhe dizer quais são. Eu mesmo tenho uma tonelada de falhas, e se não há ninguém melhor para dizer quais elas são, fica difícil reconhecê-las. Se houver interesse em algo desse tipo, eu acho que posso conversar com Luckychewy sobre algumas das HHs mais populares no Cardrunners/PXF e identificar o que acreditamos serem os erros, para dar as pessoas uma idéia de quais erros outros pros cometem.

4. Fiz coaching. Essa pode ser uma parte difícil porque não há uma lista disponível de treinadores para MTTs e muitos treinadores vão cobrar bastante dinheiro porque o tempo deles é muito valioso. Se você começa a ser um jogador de sucesso e faz bastante dinheiro, mas ainda acha que tem falhas sérias, procurar um jogador top que você respeita e sabe que faz coaching é uma boa opção. Nesse ponto, eu fiz coaching com 3 jogadores de torneios caros e troquei HHs para estudo com muitos outros. Achar jogadores que você considera estarem mais ou menos no mesmo nível que o seu e trocar HHs com eles, seja escrevendo ou pelo telefone/Skype, pode ser de grande benefício.

5. Joguei absolutamente uma tonelada. Como dizem, não há substituto para a experiência, e quanto mais você joga mais você vai reconhecer padrões, e as coisas vão ficando mais óbvias conforme você prossegue. Combine isso com os outros quatro, sobre um extenso período de tempo, e você vai ser capaz de sentir a melhora.

6. Se há uma coisa que eu gostaria de ter feito, seria ter aprendido a jogar cash games antes. Penso que jogadores de cash games melhoram no poker muito mais rápido, e aplicar conceitos que você aprende nos cash games em torneios é muito mais fácil que o contrário.

A maior parte do que faço hoje é jogar, sessões ocasionais de coaching, e gastar bastante tempo no Skype trocando idéias com jogadores que respeito. A qualquer ponto da minha carreira posso olhar em como eu jogava quatro meses antes e pensar “Wow, eu não tinha idéia do que fazia. Aprendi uma tonelada.” Imagino que vai continuar assim se eu continuar melhorando, e espero que o padrão se mantenha. Bem, esse é todo o conselho condescendente que tenho por hoje, após isso é voltar para mais estratégia preto no branco.

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#40 – Coisas Que Levei Um Tempo Para Aprender- Leitura de mãos em torneios

Publicado por staedert em Agosto 28, 2008

Things it took me a while to learn – Part 9:  Tournament Hand Reading

Escrito por Bond18, traduzido por Staedert

Continuando nossa comparação de torneios com cash games, jogadores de torneio tem um trabalho mais fácil em leitura. Isso porque os stacks menores em torneios (exceto no primeiro par de níveis) começa a restringir a quantidade de mãos que os jogadores podem jogar com lucro, e força uma enorme importância para a posição. Porém, é bem provável que jogadores de cash game vão melhorar em leitura de mãos bem mais rápido, simplesmente porque não tem tanto do trabalho feito para eles pela estrutura de torneio. Se você quer uma resposta fácil para como ficar bom em leitura de mãos após o flop, jogue uma tonelada de mãos de cash game 6max numa quantidade de mesas em que você possa parar pra pensar. Dito isso, vou tentar resumir o que posso a respeito de um assunto tão complexo.

Toda vez que eu ouço a frase “Bem, eu o coloquei em XX” tenho vontade de socar o cara na garganta. Essa única frase é mais desculpa para poker ruim do que qualquer outra. Muitos profissionais do jogo ao vivo (sim, eu sei, metade dessa série parece ser uma coleção de críticas a como os profissionais do jogo ao vivo pensam) parecem ter uma obsessão por dizer EXATAMENTE o que o oponente tem, então quando eles acertam eles colocam um sorriso na cara e anunciam “Ha! Foi nisso que eu coloquei você!” Tenho certeza que Daniel Negreanu gasta meia hora por dia na frente do espelho praticando expressões faciais variadas para maximizar sua eficiência quando esse momento de glória acontece.

Esta é uma frase para relembrar: Você não coloca seu oponente numa mão, coloca ele num faixa de mãos (range). Colocar um oponente numa certa mão não tem sentido. O processo pelo qual se faz leitura de mãos é começar por um range que seu oponente pode ter, então eliminar partes dela enquanto a mão prossegue e você recebe mais e mais informação. Também é importante nesse processo, é claro, ter uma idéia geral de como seu oponente joga. Se no online ele acabou de chegar a sua mesa, sua melhor opção é dar uma olhada nele no OPR. Se ele for novo numa mesa de torneio ao vivo, você precisa fazer algumas generalizações baseado em sua aparência.

Então como fazemos o processo de eliminar mãos do range do oponente? Você recebe mais informação do que imagina. Vamos começar com um exemplo extremamente óbvio:

Torneio freezeout de $50 em qualquer sala. Os blinds são 15/30 e todos ainda tem seu stack inicial de 3000. Os jogadores na mão parecem ser simples e objetivos.

Pré-flop: UTG dá raise para 90, UTG-1 dá reraise para 270.

Certo, agora assumindo que ambos os jogadores são bastante objetivos, isso é o que podemos deduzir:

UTG provavelmente tem um range como AJ+, ATs+, 77+ e KQs. Essa faixa não é precisa já que ele pode ter pares menores, ou não aumentaria com ATs aqui, mas é algo assim.

Quando o UTG-1 dá 3-bet, nós realmente podemos eliminar uma tonelada de mãos de seu range. Em geral um range amplo aqui seria algo como JJ+/AK, mas em muitos casos dar um range de QQ+ não é absurdo.

Então em apenas duas ações nós fomos capazes de isolar o range de um jogador até 3-5 mãos. Como eu disse antes, esse é um exemplo extremamente óbvio e simplista, mas demonstra como é possível obter uma leitura bastante precisa com muito pouca ação.

A maioria da leitura pré-flop em torneios se reduz a assistir as tendências de raise das pessoas, observando se eles entendem tamanhos de stack e posição. Aqui uma explicação de como são relevantes:

Tamanhos de stack: alguns jogadores sabem ou sentem que com 13-20 BBs, eles não devem abrir em muitas situações em que não possam encarar um 3-bet. Porém, jogadores que ignoram isso vão portanto ter um range muito mais amplo com esses stacks. Também alguns jogadores vão pagar nos blinds com stacks que são para all-in ou fold, sem saber que é incorreto. Você também precisa identificar quais jogadores dão apenas call com monstros, quando estão com stack pequeno.

Outro entendimento de tamanho de stack que é crucial observar são os de resteal, muitos jogadores vão tentar resteal com um stack que é muito inapropriado para fazer isso, e de vez em quando você vai ter que voltar neles com mais mãos. Certa vez um jogador estava constantemente tentando dar reraise em mim apesar dos nossos stacks efetivos serem 28-30 BBs, e como resultado eu voltei nele com 28BBs e QJo após ele dar 3-bet de 8.5 BBs, e ele largou. Acontecem situações como essa em que observar o entendimento de um conceito torna uma jogada que era incrivelmente ruim (o que 4-bet com 28BBs e QJo é 99% do tempo) em algo que pode ser lucrativo.

Posição: A situação pré-flop quanto à posição que mais expande o range das pessoas é o jogo nos blinds. Muitos jogadores pagam mais frequentemente do que deveriam (especialmente no BB, é claro) por causa do desconto. Poucos consideram que isso vai forçá-los a jogar fora de posição pelo resto da mão. Já escrevi sobre como o range de jogadores normais deve ser a partir dos blinds, preste atenção a quem paga muito mais, e também a quem joga muito tight nos blinds. Outra coisa a se observar são os que pagam reraises fora de posição muito mais que o normal. Muitos bons jogadores no meio para fim do torneio basicamente nunca pagam seu reraise fora de posição sem um monstro, a não ser que os stacks estejam bem grandes.

Certo, vamos a mais alguns exemplos de leitura. Primeiro quero começar com um exemplo do que acontece quando você realmente conhece o jogo de alguém. Eu gasto 4-8 horas por dia no Skype com Luckychewy discutindo torneios e mãos de poker. Agora eu posso seguir a lógica por trás das suas jogadas com enorme precisão. Por exemplo, eu estava assistindo ele na fase final do torneio de $300 do Stars esta noite e acompanhei a seguinte mão

Poker Stars
No Limit Holdem Tournament
Blinds: t2000/t4000
(Ante: t200)
7 players

Stack sizes:
UTG: t57888
UTG+1: t60291
MP1: t148859
Hero: t140802
Button: t218154
SB: t65545
BB: t66932

Pre-flop: (7 players) Hero is CO with Qd Qs
3 folds, Hero raises to t10000, 2 folds, BB calls t6000 (pot was t17400).

Flop: 8s Ah 4d (t23400, 2 players)
BB checks, Hero checks.

Turn: Kh (t23400, 2 players)
BB checks, Hero checks.

River: 7c (t23400, 2 players)
BB bets t8000, Hero folds.
Uncalled bets: t8000 returned to BB.

Após assistir essa mão eu imediatamente mandei uma mensagem para o Chewy dizendo “QQ?”
“Sim” ele respondeu. “QQ.” Agora, porque isso parece tão claro para mim? Porque eu entendo o raciocínio do Chewy. Vamos rodada por rodada.

Pré-flop: Obviamente eu sei que Chewy pode ter um range bem amplo aqui, apesar que considerando os stacks do SB e do BB, eu sinto que ele deve ter um range bem mais tight que o normal esperando tomar all-in com mais freqüência.

Flop: Eu espero que Chewy aposte um grande bordo para c-bet como esse com 100% de seu range que não tem valor para o showdown. Não é totalmente ilógico pensar que Chewy iria dar check com um A aqui, já que o bordo é rainbow sem qualquer draw relevante para seqüência. Também espero que ele dê check com mãos como KK/QQ e algumas vezes JJ, mas sei que ele frequentemente apostaria TT e menores porque o turn pode arruinar sua mão, e é bastante fácil de jogar com uma aposta.

Turn: Quando bate o K isso significa que KK é muito mais improvável. Quando o jogador pede mesa novamente, eu espero que Chewy sempre aposte com um A, já que ele tem que começar a colher valor e o BB frequentemente vai ter um K, o que significa que ele vai pagar pelo menos uma vez. Também coloca um flush draw no bordo, ainda mais razão para apostar. Quando Chewy pede mesa novamente, é nesse ponto que sei com certeza que ele deve ter uma mão como QQ, já que apostar aqui seria basicamente um blefe e sua mão ainda tem bastante valor para o showdown. Também sei que ele sabe que com essa linha, ele provavelmente não pode fazer largarem um K ao apostar apenas uma rodada, já que o vilão espera que Chewy aposte no flop com um A.

River. Quando o cara apostou 8000, Chewy pensou e largou. Ele percebe que há muito poucas mãos no range do vilão que ele vence e se o vilão vai blefar, a aposta geralmente vem no turn. Ele também percebe que apostar 1/3 do pot quase sempre é por valor e bloqueio.

Agora vamos ver uma mão mais complicada. Aqui está um post recente do Psyduck sobre uma mão que ele jogou no Evento Principal de 10k no Foxwoods:

Stacks efetivos de 20k, blinds de 100/200. Vilão abre para 600 exatamente em MP numa mesa de 9 jogadores, chega em fold e pago no BB com 7 5. Paguei por várias razões, mas vamos focar no pós-flop:

Flop Q 7 6 rainbow (pot 1300). Check, ele aposta 600 na hora, eu pago rapidamente.

Turn 7 do outro naipe (pot 2500), eu abro 1200, ele aumenta para 2800 rapidamente, eu pago.

River 9 (pot 8100). Conto meu stack e vejo que tenho cerca de 15500 restantes. Abro 5200. Ele pede que eu tire minhas mãos da frente para que ele possa ver meu stack. Eu faço isso e ele vê que eu tenho praticamente 10k restantes, e aposta todas suas fichas de 5k e 1k colocando-me all-in após cerca de 1 minuto.

Vamos falar sobre a leitura que precisa acontecer nessa mão. Informações importantes para começar são que o vilão frequentemente dá c-bet, e que não aposta bem por valor. Isso significa que ele tem algumas tendências passivas e prefere chegar ao showdown, provavelmente significa que é menos provável ele fazer grandes blefes. Pré-flop o Psyduck teve suas razões para pagar, o que não é de jeito nenhum padrão mas é irrelevante aqui.

Flop: No flop, Psyduck sabe que, já que o vilão vai apostar quase 100% de seu range, seu par está frequentemente na frente e seu call é apropriado. Essa parte me parece padrão, quando sabemos que obviamente há muitas mãos que não são pares no range dele.

Turn: Aqui é onde conhecer o jogador, suas tendências e leitura se torna realmente importante. Vamos começar analisando o range do vilão e ver como ele reage:

AK/AJ/AT e outras combinações de cartas altas/ar que não bateram: vão dar check e apenas colocar mais fichas no pot se baterem no river. Se elas baterem, frequentemente valerão apenas uma aposta, já que poucas dessas mãos vão fazer algo forte o suficiente para dar raise em Psyduck esperando ser pago por mãos piores, se ele der check no turn e abrir no river.

Pares 22-55, 88-JJ: quase sempre vão dar check e tentar chegar ao showdown da forma mais barata possível. Graças a imagem agressiva do Psyduck certamente vão pagar em uma rodada, e talvez duas.

Q médias: da descrição desse jogador é possível que ele dê check com Q médias como QT/QJ e se Psyduck der check no river, apostar. Se Psyduck não apostar é provável que essas mãos lhe rendam valor em apenas uma rodada.

Q fortes e overpairs: Essas mãos vão quase sempre apostar o turn, e frequentemente o river se for uma carta segura, mas elas não podem encarar um check/raise. Há uma pequena possibilidade que dêem check para controlar o pot quando formou um par no bordo, mas em geral podemos esperar que apostem mas não paguem um check/raise.

Monstros como 66/QQ/A7: Com mãos como essas, se Psyduck der check/raise no turn ele se compromete com o pot e obviamente nunca vai dar fold. Psyduck sabe que se ele der check/raise no turn é muito provável que apenas essas mãos (exceto talvez AA/KK e quem sabe AQ) o paguem.

Em conseqüência de saber o que acontece contra várias mãos no range do vilão, Psyduck então prefere apostar. A despeito da principal razão da aposta ser por valor (já que ganha mais dinheiro a partir do range do vilão do que um check), quando o vilão dá raise Psyduck também ganha informação. Agora ele pode eliminar todos os pares 22-55/88-JJ, Qs médias, e overcards/ar (a não ser que o vilão esteja ficando SUPER criativo contra ele)

River: Quando bate o 9, ele não muda absolutamente nada. 99 não está mais no range do vilão. Psyduck sabe que o topo do range do vilão (os monstros) sempre apostam por valor, e a base (que nesse momento são Q fortes e overpairs) vão às vezes apostar por valor e às vezes dar check já que Psyduck pagou seu raise no turn após apostar num 7. Psyduck decide que ganha o mesmo da base do range do vilão se apostar, sem ter que decidir sobre uma parte bastante maior do seu stack, com o benefício adicional que se o vilão for all-in ele sabe que estará quase sempre atrás e dará fold. Ele aposta um pouco mais que metade do pot e 1/3 do seu stack, 5200, e dá fold pro all-in do vilão no river. Na minha opinião, boa mão e um bom exemplo de como um jogador pensante usou seu entendimento de ranges para sua vantagem após o flop, maximizando tanto valor e informação (por favor não me mate, Gobbo.)

Para meu último exemplo eu gostaria de citar um artigo escrito por Nath. Eu acho que seu artigo é um excelente exemplo de como usar leitura de mãos para tomar ações que em circunstâncias normais seriam ridículas (se você está lendo isso no Tworags, essa parte já está no blog do Nath então não deixe de ver):
Do Sunday Million de ontem no PokerStars. Vilão é desconhecido:

PokerStars No-Limit Hold’em Tourney, Big Blind is t600 (9 handed) Hand History Converter Tool from FlopTurnRiver.com (Format: 2+2 Forums)

SB (t31052)
BB (t35813)
UTG (t29700)
UTG+1 (t19400)
MP1 (t28360)
Hero (t27246)
MP3 (t12775)
CO (t7727)
Button (t11100)

Preflop: Hero is MP2 with 9 , 9 .
UTG raises to t1200, 2 folds, Hero calls t1200, 4 folds, BB calls t600.

Flop: (t3900) 5 , 4 , 2 (3 players)
BB checks, UTG bets t3600, Hero calls t3600, BB folds.

Turn: (t11100) 2 (2 players)
UTG bets t4800, Hero calls t4800.

River: (t20700) A (2 players)
UTG checks, Hero bets t17646 (All-In), UTG folds.

OK… agora você provavelmente está pensando porque eu tomei uma linha que parece realmente estranha e determinada a colocar o máximo de grana no pot quanto possível enquanto perdendo. E vou lhe mostrar porque isso funciona aqui. Vamos ver rodada por rodada.

Preflop: Hero is MP2 with 9 , 9 .
UTG raises to t1200, 2 folds, Hero calls t1200, 4 folds, BB calls t600.

Essa é rodada mais objetiva em toda a mão. Um raise mínimo indica tudo e nada: principalmente, me diz que o oponente deve ser um palhaço. Porém, não ajuda muito em definir sua mão. Alguns jogadores adoram dar raise mínimo com suas grandes mãos para tentar induzir ação contra eles. Alguns gostam de dar raise mínimo com mãos com que eles querem ver um flop barato, esperando que o raise mínimo desencoraje um reraise. No que importa, eu acho que ambos são terríveis, e se você faz um ou outro freqüentemente você tem uma falha enorme no seu jogo. Eu tento mixar meus tamanhos de raise para tornar difícil ler minha mão.

De qualquer forma, dito tudo isso, preferi apenas pagar com 99 porque não tenho idéia do que meu oponente tem; se eu dou reraise e ele larga, eu venço um pot relativamente pequeno, mas se ele dá 4-bet, eu tenho que largar, e perdi uma chance de ganhar um pot grande. Então decido pagar e agir após o flop. O BB acompanha porque ele está recebendo 5,5:1 e fechando a ação, não necessariamente porque tem alguma coisa.

Flop: (t3900) 5 , 4 , 2 (3 players)
BB checks, UTG bets t3600, Hero calls t3600, BB folds.

Aqui começa a ficar interessante. Fazer uma aposta do tamanho do pot aqui muitas vezes indica um overpair. Esse é o ponto: eu ainda venço alguns dos overpairs. Além disso, algumas pessoas entram em pânico com AK/AQ quando eles não batem e começam a apostar alto na esperança de assustar um oponente. Nesse bordo, AK/AQ tem 4 outs extras contra pares menores. Esse valor incrementado torna apostar e se atolar aqui com AK uma jogada não tão ruim.

Também é a grande razão pela qual eu não vou atacar o pot agora. Algumas pessoas vêem “overpair” e pensam “eu tenho que proteger minha mão”. Depois de ver ele fazer uma grande aposta, eu sei que meu oponente gosta da sua mão, mas eu não sei exatamente o que ele tem. É muito provável que eu esteja na frente para dar fold aqui, mas ele também tem um overpair muitas vezes para tornar um raise e se atolar algo lucrativo. Eu sinto que se me atolar, será 60-40 a meu favor ou 90-10 contra. Não me importo em entrar como 60-40 favorito, especialmente num torneio como o Million, onde acho que o número de jogadores detemrina um estilo de jogo mais rápido, uma abortagem mais “corrida para a linha de chegada – mas acabo precisando dos dois noves com freqüencia demais para querer ir all-in agora. Então eu pago e decido reavaliar baseado no turn. O BB dá fold, e de qualquer forma eu nunca o considerei muito importante na mão.

Turn: (t11100) 2 (2 players)
UTG bets t4800, Hero calls t4800.

O dois não muda nada. Nenhum de nós tem um dois e ambos sabemos disso. Agora, a aposta dele no turn é interessante – ele aposta pouco menos que 1/2 do pot, o que parece fraco, mas também prepara para uma all-in do tamanho do pot no river se eu pagar. (Aliás, se você não está pensando em manipular o pot e tamanhos de stack dessa forma quando você escolhe o tamanho de suas apostas, você está cometendo um erro). De minha parte, o preço é bom demais para largar um overpair – mas ainda, minha mão não é boa o suficiente para dar raise. Eu suspeito que algumas vezes ele tem um overpair maior que o meu, algumas vezes ele ainda tem AK/AQ (o tamanho do bet é na verdade um efetivo para bloquear um draw e ver se ele bate), e raramente, ele tem um overpair menor que o meu. Então considerando uma grande parte do seu range como TT-KK e a outra grande parte como AK/AQ*, eu pago novamente.

* – eu não incluo AA, não porque é impossível, mas porque é um caso especial. Ele tem o melhor dos dois mundos, e estou ferrado; o river é basicamente irrelevante porque ele vai all-in em todos. Também considerei 66-88 improváveis, embora não impossíveis.

River: (t20700) A (2 players)
UTG checks, Hero bets t17646 (All-In), UTG folds.

Wow. Essa é uma carta muito interessante. Todas as mãos com Ás se deram bem aqui, e todas mãos que eram overpair se tornaram lixo assustado. Essa é a beleza da posição – eu posso usar a ação dele para julgar o que ele tem. Como ele tem uma aposta do tamanho do pot para trás, ele teria que ir all-in por value se acertou um Ás (ou seu 33, ou se ele já tinha full, ou o que quer que estivesse vencendo).

Ele dá check.

Agora, a reação imediata de muitos jogadores seria dar check, pensando “Oh, ou ele já me vencia, ou esse Ás o acertou. E não vai pagar com uma mão pior, e nós temos um par, então vamos dar check e torcer para vencer o showdown.”

Eles estão errados.

Quando ele dá check, ele está completamente vulnerável. Ambos temos menos que o pot para trás (ele tem pouco mais que eu) e se temos qualquer coisa razoável, estamos comprometidos com o pot. A única razão para não apostar o resto da grana aqui é se pensamos, por algum motivo, que essa carta assustadora ajudou tanto o range dele que devemos desistir. Uma armadilha do vilão nesse ponto seria absurda, já que eu deveria pagar o all-in dele com qualquer coisa razoável, depois de chegar a esse ponto.

Então quando ele dá check, não é uma armadilha, é porque esse Ás mete medo nele e ele vai largar para um all-in.

E – isso é importante – precisamos perceber que isso elimina todas as mãos com Ás e 33/44/55 do seu range, e o torna quase completamente overpairs. Então o range dele consiste primariamente de mãos que vencem a nossa mas não podem pagar um all-in.

Sabendo disso, devemos fazer um blefe. O fato que ele não agiu já nos dá toda a razão do mundo para isso. Ele nos anunciou que está com medo do Ás, e espera que o deixemos mostrar sua mão no showdown. Então temos que desapontá-lo.

Um detalhe à parte é que os stacks são realmente excelentes para essa jogada. Ambos temos pouco menos que o pot (eu tenho 17.5k e ele tem 20k num pot de 20k). O que significa que um all-in pode ser interpretado como uma aposta de tamanho “normal”. (Ir all-in aqui com digamos, quatro vezes o pot, seria considerado “anormal”.) Por causa disso, faz o oponente suspeitar menos que estamos blefando; nós podemos simplesmente estar tentando colocar cada dólar possível na mão. Isso o coloca numa situação bastante terrível, já que de sua perspectiva podemos facilmente ter AK/AQ/33. Nós certamente não daríamos check com elas no river. Por isso é muito improvável que o vilão esteja na frente uma vez a cada três, então ele larga.

Agora, na mesa esse processo é muito mais rápido, e ocasionalmente guiado por intuição – você nem sempre tem tempo para pensar, em palavras, como uma jogada vai funcionar; você “sabe” isso. Enquanto é bom ter sólidas e lógicas razões para suas jogadas, é mais importante confiar na sua intuição – é uma parte de você, e também funciona de acordo com o que aprendeu. No calor do momento, está usando toda sua experiência, habilidade e trenamento para levá-lo à decisão correta. Se você a preparou para os momentos em que vai precisar dela, ela não vai lhe decepcionar. Trabalhe na lógica fora das mesas, e estude, revise e prepare sua teoria, para que seus instintos tenham o suporte que necessitam para indicar a decisão correta. Confie em si mesmo para aprender o jogo.

Eu diria que blefar all-in no river não entrou no meu raciocínio antes do river bater, e o vilão pensar um pouco e dar check. Então me ocorreu que ele não poderia pagar um all-in, então fiz isso – não importa realmente o que eu tinha, mas fui definitivamente levado pela fraqueza relativa da minha mão. (se eu tivesse, digamos, KK, eu poderia ter dado check – ou ido all-in por valor.)
Mas há outro ponto nessa mão – você deve ser capaz de adaptar seu processo de decisão toda vez que nova informação vem à tona. Mesmo se você tem um plano para a mão, algo pode mudar e voce terá que abandoná-lo, porque percebe que uma linha alternativa é mais lucrativa. Online, o ritmo é rápido, então você precisa ter o pensamento rápido. Ao vivo, você sempre tem uma oportunidade de pensar durante uma mão. Online, você tem limites de tempo muito mais curtos e também pode estar jogando várias mesas, então ser rápido é tão importante quanto ser sólido.

Recapitulando a lição de hoje:

a) Fique alerta da força da sua mão relativa ao range do oponente, não apenas ao bordo, ou por si só

b) Não fique com medo de transformar uma mão feita em blefe

c) Não tenha medo de mudar de idéia no meio da mão, enquanto você obtém informação

d) Pense mais rápido

e) Confie em si mesmo

Eu realmente acho que Nath cobriu isso muito bem e vou ficar por aqui. Como sempre, se há algo que você gostaria de saber ou tem dúvidas sobre, basta perguntar.

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#39 – Coisas Que Levei Um Tempo Para Aprender – Tamanhos de aposta

Publicado por staedert em Agosto 23, 2008

Things it took me a while to learn – Part 8:  Bet Sizing

Escrito por Bond18, traduzido por Staedert

Jogadores de cash games não tem muito respeito por caras que são estritamente jogadores de torneio. Um dos principais fatores para essa falta de respeito é a falha dos jogadores de torneio em entender tamanho e linhas de aposta após o flop. Faz pouco tempo que, com a ajuda de NoahSD e Luckychewy despejando mãos de 6max, eu consegui uma percepção melhor para linhas após o flop, e ainda não estou muito bom nisso. Dedici trazer um expert para nos dizer o que ele acha ser a grande diferença no entendimento de tamanho de aposta entre jogadores de torneio e cash games, Aejones. Aqui está o que ele tem a dizer:

“Tradicionalmente, a escolha de tamanho de aposta dos jogadores de cash game é melhor que a de jogadores de torneio por causa da profundidade de stacks com que podem trabalhar. Em cash games, você frequentemente tem que descobrir como trazer uma grande quantidade de big blinds para o pot por value, ou usar todas as fichas no seu arsenal para representar uma mão que você não tem de fato.

Em cash games a escolha de tamanho de apostas é tradicionalmente baseada no tamanho do pot. Qualquer coisa maior que o tamanho do pot é considerado uma aposta excessiva, qualquer coisa dentro dos limites de uma aposta do tamanho do pot é considerada “aceitável” ou “normal”. Algumas vezes em torneios eu vejo um jogador tight ou objetivo dar raise pré-flop, check no flop, check no turn, e então apostar o dobro do pot no river. Esse jogador está mostrando uma falha extraordinária em seu jogo – ele não tem idéia de como colocar suas fichas no pot com suas mãos fortes além de fazer uma aposta constrangedora em uma rodada e torcer que um jogador ruim o pague com menos que o nuts. Como devemos combater isso? Simplesmente, você precisa desenvolver valor em várias rodadas – seja apostando 2/3 do pot em todas as rodadas, dando check seguido de raise num jogador agressivo, ou extrair variando o tamanho das apostas.

Outro problema que vejo na escolha do tamanho de aposta dos jogadores de torneio é que eles geralmente reduzem ela para uma quantia que eles acham que será paga. “Eu vou apostar apenas um décimo do pot… eu tenho o nuts, mas não acho que ele tenha qualquer coisa. Como ele pode pagar?!” A falácia nessa linha de pensamento é que eles estão mais preocupados em extrair do que na leitura de mão. Se esse jogador está apostando apenas um décimo do pot com suas mãos fortes… bem, não será muito difícil enfrentá-lo.

Sinto que peguei muitas tangentes, mas abordei a maioria dos pontos que pretendia e quero deixar alguns pensamentos claros. Jogadores de torneio devem escolher o tamanho de suas apostas a partir da textura do bordo, não da força da mão. Além disso, em vez de limitar o tamanho do pot, eles devem se preocupar em construir pots tomando rodadas futuras de aposta em consideração.”

Então como podemos analisar especificamente o que Aejones está falando aqui? Vamos começar falando sobre fazer apostas apropriadas para atingir algo em rodadas posteriores. Uma maneira simples de pensar sobre isso é: Você não deve pensar que apostas numa rodada são ações independentes, elas devem ser trabalhadas visando algo em rodadas futuras. Então vamos ver alguns exemplos fáceis:

O primeiro grande erro que vejo jogadores cometerem é falhar em ganhar o máximo com uma mão forte, seja porque eles fazem slowplay, ou apostam muito pouco para manter um jogador na mão. Porém, na maioria das situações você deve aumentar o tamanho de suas apostas (quando apropriado) de forma a jogar pelos stacks, ou pelo menos a quantia máxima, numa rodada futura. Digamos que você está num torneio freezeout de $55 com stack inicial de 3000 fichas. Os blinds são 20/40, e por alguma razão qualquer, todos têm seus stacks iniciais. Você tem 77 em MP2.

Pré-flop: chega em fold até você, que aumenta para 120, HJ paga, CO, button e SB são fold, BB paga.
Flop: K 7 5 rainbow (Pot 380)
BB dá check.

Ok, aqui está uma situação onde muita gente pode fazer bobagem. Eles podem dar check com medo que uma aposta vá expulsar os outros jogadores, ou podem apostar algo como 40-50% do pot para ter certeza que alguém pague. Porém você precisa perceber isso: em uma situação como essa, se uma pessoa tem uma mão forte o suficiente para pagar 200, provavelmente tem uma mão forte o suficiente para pagar 300. Quanto mais fichas você puder colocar num pot como esse, melhor.
Digamos que eu aposte 300. Se um dos jogadores dá raise, esse é o tipo de bordo em que você pode considerar dar call e se atolar no turn. já que não há cartas que venham a assustar, mas digamos que apenas um pague:

BB dá check, você aposta 300, HJ paga, BB dá fold.
Turn: J (Pot 980)
Então agora há 980 no pot e 2580 restantes nos stacks. Se você aposta algo como 700 e recebe um call, haverá cerca de 2400 restando no pot e você terá uns 1900 no seu stack, tornando um all-in no river bastante natural. Novamente, essa não é uma situação em que você quer jogar passivamente por valor, você quer colocar muitas fichas dentro. Então aposte 700 aqui e se ele dar call, vá all-in em qualquer river, é claro.

Agora vamos ver o que acontece nessa mão se você tentar ser delicado. Mesma ação pré-flop mas veja o que acontece com a matemática quando você tenta pegar leve no flop:

Flop: K 7 5 rainbow (Pot 380)
BB dá check, você aposta 200, HJ paga, BB dá fold.
Turn J (Pot 780)

Agora há 780 no pot com 2680 restando nos stacks. Se você continuar com apostas por valor de metade do pot, veja o que acontece:
Você aposta 400, ele paga.
River: 2 (pot 1580)
Agora o pot é 1580 e vocês têm 2280 restando nos seus stacks. Um all-in aqui é uma aposta exagerada que torna a força da sua mão muito óbvia. Agora você está limitado a algo como 1000 por valor, perdendo 1280 em valor por tomar essa linha delicada.

Agora, de fato há o inverso desse tipo de aposta. Às vezes você precisa apostar menos para manipular a ação em seu favor. Aqui está uma mão que postei há muito tempo para ilustrar outra idéia, apostar pouco para preparar uma jogada:
Torneio do PokerStars de $50 com rebuy e add-on únicos. Tenho sido bem agressivo em posição avançada, e o jogador no BB parece um pouco agressivo mas nada profissional.

Meu stack: 9940
BB: 6700
Blinds 100/200
Tenho Qc 9c no botão.
Pré-flop: chega em fold em mim, aumento para 525, SB dá fold, BB paga.
Flop: Ts 3c 6c (Pot 1150)
BB dá check.

Certo, essa é a idéia numa situação como essa: digamos que eu faça uma aposta normal de uns 700. Se o vilão fizer um check seguido de  raise adequado para digamos, 2100, ele provavelmente teria comprometido muito de seu stack para considerar dar fold contra o reraise que provavelmente daríamos. Então aposte pouco para manipular o tamanho do aumento dele:

Assim aconteceu:
BB deu check, apostei 450, BB aumenta para 1400, eu dou all-in de 9415, BB dá fold.

Agora, frequentemente eu seria contra apostar menos que seu raise pré-flop, mas essa me pareceu uma ótima situação para fazer uma exceção. Como Luckychewy disse enquanto discutíamos usando essa mão no artigo, “A aposta muito pequena aqui é na verdade melhor que uma c-bet pequena mais normal porque alguns caras vão perceber como fraqueza e blefar contra ela, o que por sua vez melhora muito a eficiência do reraise”. Porém ambos concordamos que isso provavelmente não deve ser feito contra jogadores que vão perceber o que ela é (embora fora dos torneios mais caros, essas jogadores sejam geralmente bem raros.)

Certo, agora vamos falar sobre ajustar nossos tamanhos de aposta para a textura do bordo. Mesmo a mais padrão das c-bets devem ter algum pensamento por trás baseado na textura do bordo (e tamanho dos stacks, claro.) Vamos ver um exemplo bem claro e óbvio para ilustrar essa idéia:

Novamente estamos em nosso freezeout de $50 com stacks iniciais de 3000 que não mudaram, em blinds de 20/40. Você tem Qd Qh em UTG+1, e o vilão é praticamente desconhecido.

Preflop: UTG dá fold, você aumenta para 120, chega em fold no MP2 que paga, e o resto dá fold.

Floo Um: Th 5d 3c (Pot 300)
Numa situação como essa, aposte o valor da sua c-bet padrão. O que deve ser sua c-bet padrão? Eu gosto que seja cerca de 60-75% do pot cedo em torneios. Nessa situação, eu apostaria 200.

Flop Dois: 6c 7c 9h (pot 300)
Agora nesse tipo de bordo eu pretendo atingir algo um pouco diferente. Eu acho que você precisa apostar mais para encarecer draws, e se o vilão aumentar você quer que seja um valor mais comprometedor. Eu apostaria 250 e se o vilão aumentar, dê all-in, já que tantos draws estão no range dele.

Basicamente, quando o bordo é mais coordenado, você precisa apostar mais, já que há mais com que o vilão pode pagar ou aumentar. Em bordos menos coordenados (Como no T 5 3), você quer que uma mão como 66-99, Tx, pense que você está apenas fazendo uma c-bet com todo o seu range, e o pague ou aumente.

Agora vamos falar sobre escolha de tamanho de aposta na fase final de torneios. Enquanto os stacks vão se apertando, suas c-bets devem (na maior parte, mas não sempre) começar a ficar menores também. Enquanto no começo do jogo minhas c-bets são na faixa de 70%, no final elas caem para cerca de 55%. Em que ponto você deve começar a diminuir o tamanho das c-bets? Isso tem a ver principalmente com o tamanho dos stacks que estão envolvidos na mão. Enquanto você avança no torneio os stacks médios serão cerca de 20 a 35 BBs, enquanto no começo do torneio eram 100 a 200. Quando o stack médio começa a ficar abaixo de 40 BBs, eu começo a diminuir o tamanho das minhas c-bets, embora isso também seja dependente dos stacks efetivos dos jogadores na mão. Quando o stack médio ficar abaixo de 30 BBs, minhas c-bets provavelmente cairão a 55-60% do pot.

Para aprofundar, vamos falar sobre como tamanho dos stacks e textura vai afetar minha escolha do tamanho de apostas na fase final do jogo com alguns exemplos. Digamos que o stack médio no nosso freezeout de $50 caiu para 30 BBs, com os blinds em 500/1000 com ante de 100. Tanto você quanto o vilão tem stack médio. 9 jogadores na mesa. Você tem AdQc em MP2.

Pré-flop: Chega em fold em você, que aumenta para 2600, HJ dá fold, CO paga, 3 dão fold.

Agora, em que tipo de flops você aposta cerca de 55-60% do pot, e em quais você aposta mais? Nesse ponto (mesmo expondo um pouco sua mão para jogadores alertas), os únicos flops em que eu aposto mais são aqueles que me acertam mas são cheios de draws e eu quero me atolar. Exempos:

Flop 1: Ks 5s 4c (Pot 7700)
Eu aposto cerca de 4200 aqui e dou fold para um all-in

Flop 2: Qd 8s 3c
Eu aposto cerca de 4200 aqui e torço para que o vilão aumente ou dê all-in.

Flop 3: Qd Td 9h
Eu aposto cerca de 6000 aqui, novamente com a intenção de me atolar.

Flop 4: Ks Js 4s
Eu apenas dou check seguido de fold.

Além disso, na fase final de torneios você precisa entender qual tamanho de stack permite blefes e semi-blefes após o flop. Alguns jogadores vão tentar blefes/semi-blefes com fichas nem de longe suficientes para ter alguma chance de causarem fold. Você precisa estar atento a quando um jogador está claramente comprometido com o pot, ou quando a textura do bordo é tal que você raramente consegue um fold. Exemplo de uma situação comum de blefe perdido:

Blinds são 500/1000 com ante de 100. Você tem KsQd no HJ, tanto você quanto o vilão tem 22000.
Pré-flop: Chega em fold em você, que aumenta para 2600, CO dá fold, botão paga, blinds dão fold.
Flop: Ad 9h 4c (Pot 7700)
Você aposta 4200, botão paga.

Essa é uma situação em que no turn ou o jogador pode ir all-in esperando conseguir um fold depois de investir tanto do próprio stack, ou se o button também der check no turn pode tentar isso no river. Como não há draws no bordo e o button raramente paga com um par decente para ver se você mantém a agressão, o vilão quase sempre tem um Ás. Só porque você tem uma parte significativa do seu stack investido não é desculpa para fazer um blefe horrível. Mas isso está começando a entrar mais em leitura de mãos, que é assunto de outro artigo.

Certo, isso é tudo o que tenho por ora. Como sempre, se houver quaisquer dúvidas, basta colocá-las no tópico.

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#38 – Coisas Que Levei Um Tempo Para Aprender – Extra-jogo e concentração

Publicado por staedert em Agosto 23, 2008

Things it took me a while to learn – Part 7:  Metagame and Concentration

Escrito por Bond18, traduzido por Staedert

Por muito tempo não me importei muito com fatores extra-jogo. Eu abria 8-12 mesas, entrava em piloto automático e talvez se fizesse uma mesa final começava a me concentrar. Não pensava muito sobre outros jogadores e não pensava realmente sobre como eu era percebido. Hoje em dia isso ainda acontece se eu tenho uma tonelada de mesas abertas e é início de torneio, mas tento me esforçar para fazer notes ou lembrar em que mesas eu tenho uma certa imagem que vai alterar decisões.

Primeiramente sobre o básico. Você vai querer PokerTracker e PokerAce HUD se for jogar várias mesas seriamente. Alguns dizem que se você está prestando atenção suficiente não vai precisar deles, mas eu tendo a discordar. Se você tem 6 mesas abertas, é difícil dizer se um cara está tight porque ele não está recebendo boas cartas e é tight mesmo, ou se é um completo ou mega nit. Quando o PAHUD diz que o cara é 7/5 em 150 mãos, você pode dar fold tranquilo para os raises dele em situações onde poderia ter tomado outra ação. E já que armazena dados de sessões anteriores, essa informação absolutamente não tem preço.

Agora quero falar sobre o que olhar em outros jogadores. Muitas vezes os jogadores não tem certeza sobre o que exatamente colocar em seus notes, e deixar notes como ” loose agressive” ou “tight” para si mesmo pode ser um pouco vago e não muito útil mais tarde. Aqui estão algumas coisas sobre as quais fazer notes:

1. Algumas vezes eu coloco no note toda uma mão que o vilão jogou, já mais tarde ela vai me dizer muito sobre ele.

2. Eu sempre observo o que minraises pré-flop significam e faço um note disso. Os dois a observar são minraises de posição inicial (que normalmente são mãos fortes) e minraises de button/CO (que normalmente são lixo). Antes de prova em contrário eu assumo que ambos significam isso, mas no momento em que vejo as cartas de alguém após um minraise eu faço um note do que ele tinha.

3. Junto com o número 2, eu sempre faço notes de quem dá reraises pequenos pré-flop. Como isso geralmente significa um monstro, eu preciso saber se eles são capazes de fazer isso com um range amplo, ou se, como a maioria dos jogadores, só fazem isso com suas melhores mãos.

4. Eu me asseguro de fazer notes em jogadores que dão raise/fold com 13-20 BBs. Você não acreditaria em quantos jogadores ranqueados eu tenho esse note, está em todo lugar. Mas quando você vê um bom 2p2er na sua mesa, normalmente deve esperar que não façam isso com freqüência.

5. Sempre faço notes de quem é capaz de dar resteal. Especialmente em limites baixos/médios há uma tonelada de jogadores que não tem isso em seu arsenal, então saber quais jogadores tem pode ser uma grande ajuda.  Também gosto de registrar quem costuma dar resteal.

6. Gosto de fazer notes de quais jogadores ficam muito agressivos no flop sem um plano, ou em situações em que isso não faz sentido. O exemplo mais óbvio é alguém fazer um grande raise ou check/raise e então quando tomar 3-bet, congelar e pensar no que fazer, ou se atolar numa situação realmente ruim porque se sentem comprometidos com o pot. Contra esses jogadores eu começo a jogar mais objetivamente, pois espero que eles simplesmente se entreguem.

7. Sempre que possível eu tento fazer notes do range de abrir all-in das pessoas. Alguns caras com 11 BBs em MP com antes irão all-in com qualquer SC, quaisquer cartas suited, com um gap, qualquer A, qualquer par, etc. Alguns vão all-in com AJ+/66+. Ajuda saber qual é qual.

8. Gosto de fazer notes quando fui insanamente agressivo contra um jogador e ele viu minhas cartas. Colocar um note que “o vilão sabe que posso ser muito spewy/agressivo” vai ajudar em desenhar ações futuras. Novamente, às vezes coloco a mão inteira.

9. Tento fazer note dos jogadores que tentam dominar a bolha. Se esses caras conseguem algumas fichas próximo a uma bolha, você pode realmente punir sua agressão com 3-bets, já que muitos jogadores (eu mesmo incluído) começam a dar raise com uma tonelada de mãos se a mesa não os impedir.

10. Tento fazer notes do que o tamanho dos bets após o flop significam. Por exemplo, você vai ver alguns caras que usam tamanhos de bet que são CLARAMENTE por valor e ajuda saber isso. Também gosto de saber com o que eles dão all-in maior que o pot, já que isso para alguns significa draws e para outros o nuts. Outro note comum é o de minraise após o flop, que tende a ser um draw, raise por informação, ou mais comumente um monstro (especialmente se for feito no turn.) Saber o que seu oponente está tentando com essa aposta é crucial.

Certo, se há jogadores reagindo ao meu extra-jogo, isso realmente só exige mais percepção e atenção na mesa. Se num dia você quer dispersar e ficar vendo TV ou conversando no messenger tudo bem, mas saiba que isso atinge seus lucros. A consciência da sua imagem vem com experiência, mas o quanto mais longe você chegar num torneio mais importante isso fica, já que é mais provável que os oponentes estejam prestando atenção. Para realmente maximizar o seu jogo, você precisa reagir à percepção na mesa. Você pode justificar um bocado de coisas baseado na sua imagem, ou na imagem dos jogadores, ou no extra-jogo da mesa, e é difícil quantificar em palavras exatamente o quanto isso importa.

Se você quer experimentar o quanto o extra-jogo significa e sentir o quanto isso é importante, aqui está uma “sugestão de treinamento”. Abra o FullTilt às 23h ET, quando há dois torneios 6max deep stack (um é 24+2, o outro é 100+9.) Jogue apenas esses dois torneios e concentre-se em fazer jogadas e reads. Já que há apenas um total de 10 jogadores para prestar atenção e você tem fichas suficientes para ser criativo, veja o que pode fazer manipulando sua imagem, especialmente se você chegar ao período de antes. É uma grande maneira de melhorar em reads e jogo após o flop, enquanto faz notes numa escala administrável.

Como sempre, se houver qualquer coisa que eu não cobri ou que você queira que me aprofunde mais, basta pedir é claro.

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#37 – Coisas Que Levei Um Tempo Para Aprender – Estratégias e mentalidades falsas

Publicado por staedert em Agosto 22, 2008

Things it took me a while to learn – Part 6: Strategy and Mentality Lies

Escrito por Bond18, traduzido por Staedert

Lamento informar que mentiram pra você. Na verdade, não tenho certeza se mentira é a palavra certa, mas é má informação com certeza. Essa é a verdade: muitos dos conceitos comuns de torneio, estratégias, e mentalidades escritas sobre eles não prestam. Esse lixo está tão infiltrado na sociedade do poker que aqueles que não gastam a sua vida online ou conseguem um mentor muito bom provavelmente vão permanecer em ignorância. Então me permita esclarecer algumas das maiores mentiras que lhe contaram:

1. “Você pode achar uma situação melhor”? O quê? Ouça, qualquer situação boa assim, o que significa QUALQUER SITUAÇÃO QUE SEJA +EV/+cEV, é uma situação em que você deve entrar. Agora, ocasionalmente há situações que são +cEV mas você deve dar fold porque são -EV? Sim. Um exemplo óbvio é dar fold com AA num satélite em que você tem um lugar garantido. Quer um exemplo melhor que algo tão simples? OK, aqui está um:

Eu recentemente joguei um evento ao vivo de 3k em Melbourne com cerca de 440 inscritos. A estrutura era muito deep, muito lenta e tinha antes altos. 40% do field entrou através de freeroll e provavelmente menos de uma dúzia de jogadores em todo o field era de fato bons jogadores de torneio. Se eu fosse o BB na primeiríssima mão com um stack de 20K em blinds de 50/100 com 22, e chegasse em fold no SB que desse all-in com seus 20K e virasse AKs, eu daria fold. Porém, realmente é necessário um exemplo tão extremo pra me fazer pensar em passar uma situação +EV. ENTÃO PARE DE FAZER ISSO!

2. “Você arriscou seu torneio com isso?” Eu ouço isso o tempo todo em torneios ao vivo, acho que é porque ao vivo você normalmente só joga um torneio por dia, e no caso de um grande evento principal, as pessoas podem ter esperado meses ou o ano inteiro por ele. Ainda assim, absolutamente não há desculpa. Sua vida no torneio não tem valor exceto o sentimental, então a não ser que você pretenda engarrafar a sensação mágica de vida no torneio e vender para Hallmark para fazer um cartão de Natal, pare de desperdiçar seu tempo com essa mentalidade.

O que realmente tem valor num torneio? Fichas. Se seus oponentes num torneio ao vivo não lhe dizem às vezes algo como “cara, você é maluco!”, você provavelmente não está jogando bem. Um bom exemplo de como as pessoas ficam nits com a sua sobrevivência no torneio são seus ranges de all-in e resteal all-in. Um exemplo:

Cerca de 15-20 jogadores antes da premiação, num evento de $1500 da WSOP, chegou em fold em mim com J5o no botão com 11 BBs com antes em jogo. Ambos os blinds eram jogadores padrão frágeis do jogo ao vivo. Eu fui all-in porque eu sei o quão insanos são os ranges de call deles, especialmente moderadamente próximo da bolha. O SB pensou por uns 8 anos antes de pagar com AQo, então o BB foldou e mostrou AQs. Quando eu mostrei minha mão sobre a mesa ouvi vários insultos por ter apostado meu stack com J5o. A mentalidade que você realmente precisa ter é aceitar ser eliminado se isso significa criar situações +EV. Só porque você esperou muito tempo para jogar esse torneio não significa que você tem uma desculpa para jogar mal.

3. “Eu não quis arriscar tudo num coin flip.” Essa deve ser uma das mais comuns. Aqui está a simples verdade nas situações de coin flip mais prováveis: no ponto em que você considera dar fold sabendo que deve estar num coin flip, provavelmente já há dinheiro demais no pot para dar fold. Se você dá raise 3x com AQo e um cara vai all-in com 15-20x, e você supõe que o range dele é AJ+/66+ (você tem cerca de 43,5% de chances contra esse range bastante tight e que não considera blefes, e ainda está basicamente flipando), você NÃO VAI dar fold. Nâo há nada errado em entrar num coin flip enquanto ele for +EV, especialmente quando os antes entram em jogo.

4. “Meus oponentes são muito bons, eu vou evitar confusão.” Olha, você precisa ter confiança em seu jogo. Se você realmente acha que está cercado por jogadores que são muito melhores que você, provavelmente está no torneio errado (a não ser que você tenha vencido um satélite ou coisa do tipo). As chances são que seus oponentes não sejam tão bons quanto você considera ou os resultados deles sugiram. Eu encorajo você a ter confiança próxima de orgulho delirante. É OK ficar um pouco mais tight se você se encontrar uma mesa de jogadores melhores, mas não fique nit ao ponto de que eles podem partir pra cima de você e você esteja paralisado para impedi-los. Torneios de poker podem ser muito decepcionantes, mas chegar na mesa se sentindo derrotado praticamente garante isso.

5. “Torneios de poker são sobrevivência.” Não realmente. São sobre acumulação para permitir a criação de situações +EV. Eu acho que isso já foi coberto bem, mas é outro conceito comum que eu acredito ser totalmente falso.

OK, é o que tenho por hora. Se alguém tiver outros erros comuns que gostariam de sugerir, posso falar sobre eles. Espero que isto ajude e como sempre, todas as dúvidas são bem-vindas.

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#36 – Coisas Que Levei Um Tempo Para Aprender – 3-bets/4-bets

Publicado por staedert em Agosto 21, 2008

Things it took me a while to learn – Part 5:  3-betting/4-betting

Escrito por Bond18, traduzido por Staedert

É difícil achar um bom equilíbrio entre dar 3-bet pré-flop demais e não dar o suficiente. Por bastante tempo eu dava 3-bets sem parar, pelo menos para tornar a vida das pessoas mais difícil e para piorar minha imagem. Ao longo dos últimos meses, através de muita análise, eu sinto que recuei um pouco e atingi um equilíbrio bastante bom.

Eu junto 3-bets/4-bets em duas categorias, por valor e como resteal. A maior parte desse artigo vai focar em 3-bets, já que é muito mais comum que 4-bets. É provável que você possa passar meses sem dar 4-bet pré-flop como blefe e isso não seria uma falha séria, especialmente em limites mais baixos. Então vamos aprofundar sobre 3-bets primeiro:

O primeiro fator importante a respeito de 3-bets é o tamanho do stack. Se você tem menos de 27 BBs eu diria que praticamente qualquer 3-bet deve ser all-in. Porém há uma exceção para jogadores que levam all-ins muito a sério, mas vão tolamente doar uma tonelada de stacks efetivos para uma 3-bet normal. Nessas situações se o botão dá raise de 3x e você tem uma grande mão no BB, você deve dar 3-bet para 9x e então ir all-in ou dar check/all-in na maioria dos flops, dependendo de quão bons eles forem para você. Se você apostar tanto do seu stack pré-flop, você nunca deve dar check/fold no flop.

Essa jogada é basicamente conhecida como “go and go”. A execução mais normal do 3-bet go and go acontece com cerca de 28-36 BBs. A idéia básica é: simplesmente ir all-in pré-flop é um pouco exagerado. Porém sua mão é boa demais para dar call. Então você dá 3-bet numa quantia que fará seu all-in no flop (ou o ocasional check/all-in) muito natural.

Exemplo: Seu stack: 35 BBs. Stack do CO: 40 BBs. Você tem AsQs no BB.
Pré-flop: chega em fold no CO, ele dá raise de 3 BBs.
Certo, agora o erro que alguns jogadores cometem aqui é dar uma 3-bet pequena demais. Com 28 BBs dar 9 BB seria bom, mas numa situação como essa você precisa inflar o pot, então eu recomendo fazer cerca de 11 BBs. Supondo que há antes, se o CO escolhe pagar haverá cerca de 24 BBs no meio e você terá apenas 24 BBs restantes no seu stack. Na grande maioria dos flops você terá que abrir all-in. VOCÊ SÓ DEVE DAR CHECK QUANDO VIER UM FLOP FANTÁSTICO. Se ele vier Ad 7s 2s (ou coisa do tipo) você deve dar check/all-in nesse flop. Então se após eu escrever esse post eu ver alguém fazer isso e dar fold num flop porque está com medo de ir all-in, eu vou barbarizá-lo.

O próximo fator importante no tamanho dos 3-bets é não tentar mantê-los consistentes. A coisa mais óbvia que se vê é gente dando 3-bet mínima ou pequena com suas grandes mãos para não perder quem deu raise. Contra vilões ignorantes que só vêem o custo baixo e clicam o botão de call isso é OK, mas contra qualquer um capaz de pensar sobre uma mão, isso é bastante ruim, já que você está entregando a sua força. Você vê esse tipo de coisa mesmo nos níveis altos e vindo de bons jogadores, e toda vez que vejo um bom jogador tentar dar 3-bet pequena com AA/KK contra outro bom jogador, eu apenas rio sobre o quão claramente eles são tolos. Na maioria das situações, o fator decisivo sobre o tamanho da sua 3-bet deve ser stacks efetivos, não força da mão.

Agora vamos falar sobre 3-bets como resteal, ao contrário de por valor. Executar isso propriamente requer um entendimento de fatores extra jogo. Você deu muitas 3-bets recentemente? Mostrou mãos muito fortes após suas 3-bets? Está próximo de uma bolha? Quais são as posições? O vilão está abrindo muitos pots? Você numa situação de bolha em que o vilão se importa? O vilão está prestando alguma atenção à mesa?

Há dois tipos de resteal, all-in e com fichas para trás com a intenção de dar fold para um all-in. Vamos falar sobre a execução adequada de ambos:

All-in: o tamanho de stack apropriado seria cerca de 13-21 BBs. Com menos de 13 BBs você não tem realmente qualquer fold equity, e ir all-in com 22 BBs ou mais com uma mão abaixo da média tende a ser  desperdício. A maioria das 3-bets all-in deve ser sobre um raise do HJ, CO, button ou SB. A maioria das pessoas não é loose o suficiente nas posições anteriores para que consiga folds suficientes, embora seja lucrativo contra certos jogadores. Eu prefiro fazer isso com mãos que tem alguma equidade quando pagas, Ax do mesmo naipe, suited connectors/um/dois gaps, duas figuras baixas. Entretanto, às vezes você vai encontrar situações em que dar resteal com quaisquer duas cartas é +EV (especialmente próximo a bolhas), então se você reconhecer uma situação dessas não tenha medo de explorá-la com o que tiver.

Com fichas para trás: é claro que começamos com tamanhos de stack. Como eu odeio colocar 30%+ do meu stack pré-flop e dar fold pós-flop, não faço essa jogada a não ser que os stacks efetivos sejam de 35 BBs ou mais. Uma vez ou outra você se verá numa situação rara em que possa fazer isso com cerca de 30 BBs, mas não é muito frequente. Há uma grande diferença em fazer isso em posição e fora dela. Eu tendo a apostar 2-3 BBs a mais quando fora de posição para tentar prevenir um pot inflado fora de posição com uma mão fraca.

Exemplo: Stacks efetivos 40 BBs. Eu tenho 57s numa situação que eu considero realmente boa para um resteal.
A – CO deu raise, sou o button. CO dá raise para 3 BBs, eu tendo a voltar 8.5-9.5 BBs. Se o vilão pagar e eu flopar um grande draw, eu tendo a me atolar independente dele apostar ou dar check. Se eu flopo um draw fraco e ele dá check eu tendo a dar check por trás. Se eu flopar um par e ele apostar eu provavelmente darei fold, se eu flopo um par ele dá check minha decisão depende da textura do bordo e do vilão.
B – CO deu raise, eu sou BB. CO dá raise para 3 BBs. Eu tendo a voltar 10.5-11.5 BBs aqui.
Se o vilão paga e eu flopo um grande draw eu provavelmente aposto perto do pot inteiro para fazer ele perceber que não tem FE. Se eu flopo um par eu tomo uma decisão de momento baseado no range de call esperado do vilão e textura do bordo. Qualquer outra coisa eu provavelmente dou check com a intenção de dar fold para a maioria dos bets.

Certo, agora sobre 4-bets. Obviamente todos sabem como dar 4-bet all-in com uma grande mão depois de conseguirem receber uma 3-bet. Então vamos falar sobre como dar 4-bet com um range amplo esperando que o vilão dê fold. Primeiramente essa é uma jogada muito raramente usada, e depende extremamente de fatores extra jogo.

Eu acho que stacks efetivos ideais para isso são cerca de 37-43 BBs. Mesmo isso depende do vilão, já que alguns vão dar 3-bet em você com stacks efetivos de 32 BBs com a intenção de dar fold para um all-in. Nessa situação, conhecer o vilão é tudo. Em stakes baixos há muito poucos jogadores que dão resteal frequentemente, então se você tentar essa jogada estará basicamente tentando blefar algum cara que deu reraise em você com TT/AQ e agora ele não sabe o que fazer porque ele não pensa a frente. É algo tão raro que mesmo no meu volume de jogo eu faço apenas 1 a 3 vezes por semana. Porém, se você conseguir achar um vilão que pareça dar 3-bets em você ou em vários outros vilões com freqüência, e você dar raise e novamente ele dar 3-bet (isso fica um pouco mais fácil se ele der um tell de tamanho de bet, como apostar menos em resteals ou etc), uma vez ou outra você precisa retomar o controle dando 4-bet all-in.

Certo rapazes, é isso por ora. Como sempre, se tiverem dúvidas basta perguntarem.

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#35 – Coisas Que Levei Um Tempo Para Aprender – Administração de bankroll

Publicado por staedert em Agosto 21, 2008

Things it took me a while to learn – Part 4:  Bankroll Management

Escrito por Bond18, traduzido por Staedert

Se houvesse apenas uma coisa que eu pudesse ensinar ou transmitir a outro jogador de poker seria o quão importante é a administração do bankroll. Há uma tonelada de jogadores de poker talentosos que são extremamente capazes em seus jogos, mas graças a má administração do bankroll permanecem atolados quebrando por anos.

O que parece ser a regra padrão para administração de bankroll em MTTs é a seguinte: sempre tenha pelo menos 100 vezes o seu buy-in médio. Eu digo buy-in médio porque isso permite ao jogador “dar tiros”, sem se prolongar demais.

Sobre a máxima parcela do seu bankroll que você deve colocar em um evento, isso depende da sua preferência, mas eu pessoalmente (e hoje em dia sou um grande BR nit) não me imagino colocando muito mais que 5% do meu bankroll em um evento.

O maior problema com jogar fora do seu bankroll é que para a maioria dos jogadores isso tende a forçar envolvimento emocional. Construir um bankroll e então detoná-lo por má administração é mentalmente destrutivo para praticamente todos e frequentemente resulta em irem mais alto e rápido.

Eu encorajo a não tentar subir tão rápido e quando fizerem isso, que seja com moderação. Criar um bankroll tão grande para que praticamente seja impossível quebrar nos stakes em que joga lhe dá espaço para tentar um tiro agora, e isso realmente é o ideal.

Como sempre, se alguém tiver uma dúvida ou precise que eu me aprofunde, basta pedir.

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#34 – Coisas Que Levei Um Tempo Para Aprender – O que você está tentando conseguir?

Publicado por staedert em Agosto 21, 2008

Things it took me a while to learn – Part 3: What’re you trying to accomplish

Escrito por Bond18, traduzido por Staedert

Esse post vai parecer um pouco repetitivo em relação ao que Gobbo cobriu no tópico dele “Pare de dizer que você está apostando por informação!”, mas também vou falar de assuntos que ele não comentou.

Eu postava muitas mãos onde a resposta básica das pessoas era “O que você está tentando fazer aqui?” O erro comum que eu estava cometendo em meu jogo pós-flop é que eu não estava pensando nas minhas decisões e entendendo a motivação para minhas ações.

Esse é o conceito básico: sempre que você faz uma ação numa mão de poker (exceto fold), você precisa saber o que está tentando conseguir ao realizar essa ação.

Por exemplo, uma jogada que as pessoas fazem o tempo todo é dar raise no flop, então quando tomam reraise pensam eternamente porque não sabem o que fazer. Se você vai dar raise numa situação como essa você precisa saber se está fazendo isso como:

A. um blefe puro
B. um semi-blefe
C. um raise por valor que espera tomar reraise
D. um raise por valor que vai dar fold para um reraise

Geralmente, se você está dando raise por valor deve ser na esperança de tomar reraise, mas há situações, especialmente no river, em que dar raise por valor mas dar fold para um reraise é a jogada mais apropriada.

Se você faz uma aposta e então percebe que não faz idéia se quer que o vilão dê call ou fold, você está ferrado, porque sua aposta não tem um propósito claro.

Você precisa de um plano para cada ação. É OK fazer uma jogada, seu oponente reagir de uma maneira que você não previu e então parar para pensar, mas há tantas decisões em torneios de poker sobre stacks pequenos (especialmente pré-flop) que você deve ser bastante objetivo. Quando você dá raise no SB contra um jogador no BB que tem 15 BBs, não deve ser uma decisão difícil se ele for all-in. Você deve ser capaz de antecipar que um jogador com esse stack estará dando all-in frequentemente em você e agir corretamente dando call com um range apropriado.

Apostar ou dar raise por informação raramente é uma opção viável porque apostas devem cair nas categorias de blefe ou por valor. Há outras maneiras de discernir a informação que você recebe numa mão além de desperdiçar fichas só para isso. Vou falar mais a esse respeito no próximo segmento sobre leitura de mãos.

Se você pretende praticar esse conceito da maneira fácil, jogue um par de mesas por alguns dias, de forma que você tenha tempo para tomar sua decisão. Então, todas as vezes em que você tiver uma decisão que não é incrivelmente óbvia, pare e pense “O que estou tentando conseguir com essa mão?”. Parece uma sugestão boba, mas eu prometo que vai ajudar em pensar sobre o que você está fazendo.

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#33 – Coisas Que Levei Um Tempo Para Aprender – Posição

Publicado por staedert em Agosto 21, 2008

Things it took me a while to learn: Part 2: Position

Escrito por Bond18, traduzido por Staedert

Um dos erros mais comuns que vejo nos fóruns é a ignorância acerca de posição. Acontece em todos os níveis de jogo em MTTs, e é um erro que eu cometi muito até pouco tempo atrás. Agora fui tão longe no outro extremo que posso estar muito tight fora de posição, o que mal pode ser chamado de falha considerando o quão importante acaba sendo.

Acho que o motivo de muitos jogadores (incluindo eu mesmo) não perceberem o quão essencial é estar em posição, é que jogadores de torneio geralmente são muito ruins após o flop e não sabem aproveitá-la, e os stacks geralmente estão tão pequenos que ao pagar fora de posição você não pode ser explorado em múltiplas rodadas.

Quanto mais você joga contra bons jogadores, mais percebe a importância da posição. Se quer prova disso, peça ao melhor jogador pós-flop que conhece para jogar um SNG HU deep stack e você vai se sentir literalmente explorado.

Coisas a saber sobre pagar fora de posição: primeiramente, abaixo de 40 BBs há muito, muito poucas mãos com as quais você deve pagar raises, a não ser no SB. E nele, praticamente todas as mãos nesse stack são para reraise ou fold, embora existam poucas situações em que pagar é mais apropriado. Exemplos: se um jogador decente e agressivo dá raise no HJ/CO ou o botão dá raise e você tem um stack próximo de 30 BBs, pagar com uma mão como KQs, KJs, QJs, AJo provavelmente é bom, embora eu raramente acabe fazendo isso, especialmente sob o risco de sofrer um squeeze do BB. Ou se um bom jogador dá raise em posição inicial ou média e você tem algo como AQ no SB, pagar também é razoável. É claro que você também pode pagar um raise com AA no SB às vezes, contra jogadores que não estarão cientes que seu range de call deve ser tão tight.

Porém, é claramente no BB onde as pessoas cometem a maioria dos erros, já que estão recebendo um desconto para ver o flop e frequentemente fecham a ação pré-flop.

Um range decente para pagar no BB contra raises de posições finais é KT/KJ/KQ, QT/QJ, JT, AJ/AT, T9s, talvez alguns Ax decentes do mesmo naipe.

Contra um raise de posição inicial meu range é reduzido drasticamente, para coisas como AQ, AJs, KQ, QJs, dependendo de quem está dando raise e qual a profundidade dos stacks. Às vezes sou um pouco mais loose que isso, às vezes mais tight.

A respeito de jogar em posição, acho que muita gente nesse fórum pode se tornar ainda mais loose do que percebem. No ponto em que os antes entram em jogo, sempre que chega em fold para mim no botão, assumindo que os blinds não estão numa situação em que eu tenho uma razão muito forte para suspeitar que irão all-in, dou raise com uma tonelada de mãos.

Para dar uma idéia bruta desse range, assumindo digamos, stacks de 30BBs para mim e os blinds, ele seria: 22+/A2o+/43s+/65o+/qualquer duas cartas que sejam 8 ou maiores/T7s+

Se os stacks forem aproximadamente os mesmos e chegar em fold para mim no CO eu posso dar raise com um range muito parecido, embora largando algumas das mãos como conectadas de naipes diferentes, T7s, alguns A + lixo de naipes diferentes.

Quando você dá raise com um range muito amplo como esse os blinds vão começar a se ajustar, mas a maioria dos jogadores ruins vai se ajustar pagando em vez de dar reraise, já que como minha namorada diz, “reraise dá medo”. Não deixe de prestar muita atenção a quais jogadores são capazes de se ajustar com resteals, quais se ajustam com mais calls, e quais continuam a serem nits. Contra aqueles que não dão reraise pré-flop, continue dando raise com todo seu range, já que mesmo se eles lhe pagarem fora de posição, você deve ser capaz de extrair grande vantagem após o flop.

Quando jogar esse estilo muito agressivo nas posições finais você deve dar muitas c-bets, embora existam algumas texturas de flop tão boas para o range de call dos vilões que você deve dar check. Considere que a maioria do range de call dos vilões semi-sensatos são mãos que contém cartas de 9 a A.

Então digamos que bata um flop como QT8 após você dar raise com 55 no CO. Num flop como esse, vai ter acertado o vilão o suficiente para que sua c-bet leve call ou raise uma tonelada de vezes, então dar check é o ideal. Texturas de flop para ser mais cuidadoso são coisas como:
QJx, QTx, 89T, 89J, KJ9,  JTx, 9Tx, coisas dessa natureza.

Espero que isso ajude a clarear algumas idéias sobre posição. Não estou certo sobre quanto aprofundar aqui, mas se tiverem dúvidas ou áreas específicas em que queiram receber mais explicações, como sempre, basta perguntar.

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